domingo, 14 de setembro de 2025

Episódio 1x05


 — Sala de Estar da Mansão Xavier | Manhã

James acordou naquela manhã mais disposto do que o habitual. A brisa que atravessava a cortina esvoaçante dava ao quarto um ar leve, e ele se sentia incomumente animado para as aulas. O corpo parecia mais leve, e até o uniforme da escola já não incomodava tanto. A essa altura, ele já se acostumara com o ritmo acelerado das aulas, os turnos puxados e, mais importante, já não se perdia nos labirínticos corredores da mansão.

Ao descer, ainda abotoando a camisa, ouviu um burburinho incomum vindo da sala de estar. Havia uma movimentação intensa. Vozerio, murmúrios, risadas nervosas e exclamações surpresas se misturavam. James, curioso, aproximou-se. Vários alunos estavam reunidos ao redor da enorme televisão da sala. Não conseguia enxergar o que passava — eram muitas cabeças tampando sua visão. As reações, no entanto, variavam entre empolgação, choque e medo.

Ele virou-se para o garoto ao lado, que se esticava na ponta dos pés tentando ver algo.

— James: O que está acontecendo?

— Anole: Eu não sei muito bem, mas parece que os X-Men estão aparecendo na TV... espera, deixa eu ter certeza.

Sem aviso, o garoto deu um salto absurdo. Suas pernas se fixaram no teto com a facilidade de um inseto. Agora de ponta-cabeça, sua pele esverdeada e coberta de escamas reluzia sob a luz do cômodo, revelando sua natureza reptiliana. Ele encarava a tela lá do alto, com os olhos arregalados.

— Anole: É isso mesmo, são eles. Os X-Men estão na TV, em uma transmissão ao vivo. Nossa, eles estão enfrentando Magneto.

James arregalou os olhos e deixou escapar um suspiro de espanto. Seu olhar fixou-se no garoto no teto por um segundo, mas logo foi atraído por um rosto conhecido.

Roberto da Costa atravessava a multidão com facilidade. Como sempre, bonito o suficiente para virar cabeças. Ele parou diante de James, um sorriso animado no rosto.

— Roberto: James, cara, você precisa ver isso.

Antes que pudesse responder, James foi puxado por Roberto para o centro da multidão. O calor do corpo do outro garoto passava através do toque no pulso. Algumas pessoas abriram espaço e, finalmente, James conseguiu ver a tela.

Seus olhos se arregalaram.

— James: Meu Deus...

Na televisão, uma cena caótica se desenrolava. A filmagem tremia levemente, capturada de dentro de um helicóptero em movimento. No centro da tela, Magneto flutuava no ar, envolto por um escudo magnético que desviava as rajadas ópticas disparadas por Ciclope.

James reconheceu imediatamente Scott Summers. Estava com o uniforme de combate, óculos de viseira reluzente, disparando feixes rubros de pura energia com precisão cirúrgica.

O coração de James batia acelerado. Ele mal piscava.

— Roberto: Os X-Men estão lutando contra Magneto, é um combate épico.

Roberto inclinou-se, falando perto de seu ouvido para se fazer ouvir no meio do alvoroço. O calor da respiração dele arrepiou a nuca de James, mas o garoto não tirou os olhos da tela.

A câmera agora mostrava Wolverine, avançando como uma fera descontrolada, destroçando com suas garras de adamantium tudo que Magneto arremessava. Jean Grey surgiu de lado, os olhos brilhando enquanto usava sua telecinesia para segurar um carro blindado que voava em direção a soldados indefesos.

James assistia com fascínio, sem acreditar no que via. Era mais do que uma luta. Era uma demonstração de força, união e desespero.

O céu escureceu de repente, raios cortando o horizonte. Uma descarga poderosa atingiu o escudo magnético de Magneto, o fazendo oscilar por um instante. O trovão que seguiu sacudiu a sala inteira.

— James: Wowser...

Os alunos ao redor vibraram. Tempestade surgia na tela como uma deusa, majestosa e feroz. Seu ataque afetara Magneto de verdade — o primeiro a atravessar sua defesa.

A transmissão continuou com imagens rápidas de Colossus, Homem de Gelo e Vampira preparando um ataque conjunto. O caos aumentava. Mas então, o helicóptero tremeu, perdeu altitude e a imagem sumiu abruptamente. A TV ficou preta. Um silêncio constrangedor tomou conta da sala.

— Roberto: Que droga, logo agora que estava ficando bom.

Alguns alunos vaiaram. Outros xingaram. Mas a maioria apenas ficou parada, como James, absorvendo a adrenalina.

Ele sentou-se numa poltrona próxima, as mãos cravadas nos braços do estofado, o olhar distante.

— James: Qual é a dele? Digo, do Magneto. Por que ele faz o que faz?

Roberto, surpreso com a pergunta, arqueou as sobrancelhas.

— Roberto: Por que ele faz aquilo? Porque ele é a porra de um terrorista, né? Vai saber o que se passa na cabeça doentia dessas pessoas.

A resposta simplista não satisfez James. Sua expressão de dúvida só aumentou.

Foi quando uma nova voz surgiu, cortante.

— Spike: Ah claro, como sempre, Roberto, o rei dos idiotas tem todas as respostas do universo na ponta da língua.

Spike entrou na sala como se fosse dono do lugar. Trazia uma maçã na mão e seu ar arrogante habitual no rosto. Sentou-se ao lado de James, jogando os pés sobre a mesa de centro com um estalo. Encarou Roberto com desdém.

— Roberto: O que quer dizer?

— Spike: Só estou dizendo que você não respondeu a pergunta de James. Apenas deu uma opinião sua — muito burra, por sinal — das ações de Magneto. Você não explicou nada. Era melhor ter ficado com a boca fechada ao invés de falar tanta merda.

Ele mordeu a maçã com gosto, quase teatral.

Roberto respirou fundo, visivelmente irritado.

— Roberto: E o que tem pra explicar? Magneto é um criminoso e ponto. Não importa os motivos que o fizeram ser do jeito que é. Isso não anula, muito menos justifica, todas as atrocidades que ele fez. Ele é um terrorista. E isso é tudo que precisamos saber sobre ele.

Spike soltou uma risada seca.

— Spike: "Criminoso e ponto", é isso aí, né, Roberto? Você realmente é um gênio. Não há nada de errado em tentar entender as MOTIVAÇÕES de alguém... mas não, melhor apenas rotulá-lo de má pessoa e seguir com a vida, sem qualquer nuance.

Roberto inclinou-se para frente, o rosto vermelho de raiva.

— Roberto: Não existe nuance quando se trata de Magneto. Você está ignorando o que aquele homem fez para todas aquelas pessoas inocentes...

Ele apontou para a TV, agora desligada.

Spike bufou.

— Spike: Ah claro, porque o mundo é simples assim, né, Roberto? É tão fácil classificar as pessoas em preto e branco, bom ou ruim... porque realmente não existe nada mais além disso.
Magneto foi criado em um campo de concentração nazista quando era criança. Só Deus sabe o que ele passou nas mãos daquelas pessoas. Isso moldou seu ódio contra os humanos e sua luta pelos mutantes.

— Roberto: Isso não importa! Não importa a merda de passado que ele teve! Ele não tem o direito de fazer o que ele faz só porque não teve uma infância feliz. Isso não faz dele menos criminoso!

— Spike: O que você sabe da vida, Roberto? Ou sobre sofrimento? Você não passa de um riquinho mimado, filhinho de papai, que sempre teve tudo o que quis na hora que quis, sem precisar fazer o mínimo de esforço. O único dia que você chegou minimamente perto de conhecer o sofrimento foi quando broxou com a sua namorada pela primeira vez.

Foi como uma explosão. O rosto de Roberto ficou vermelho, e ele se ergueu num salto.

— Roberto: Não ous...

Ele avançou para Spike, o punho fechado e os olhos ardendo. James ficou paralisado, o olhar indo de um para o outro. Roberto preparava o soco quando Spike, rápido como um raio, usou a cadeira como impulso e desferiu um chute certeiro na lateral do corpo dele.

Roberto caiu de costas, ofegando.

Spike se levantou calmamente, como se nada tivesse acontecido.

— Spike: Não me surpreende que tua namorada tenha te trocado, cara... olha como você é patético.

E então... o inferno começou.

O corpo de Roberto escureceu. Sua pele virou carvão reluzente. De seus olhos e boca, luz solar emanava como se um pequeno sol estivesse sendo contido à força. Energia irradiava dos seus poros, e cada músculo pulsava como se estivesse em combustão.

Ele avançou.

Spike desviou por pouco. O soco de Roberto atravessou a televisão, explodindo a tela e a parede atrás dela. O vidro estilhaçou-se, voando por todo lado. James mal conseguia respirar.

Spike ficou branco. Pela primeira vez... parecia com medo.

— James: Parem com isso, Robe... Roberto, você vai matá-lo, para com isso agora!

Outros alunos gritavam. Mas era inútil.

James então sentiu algo vibrar dentro de si. Uma força que não invocara de propósito. Seus olhos brilharam em escarlate.

De repente... tudo parou.

Roberto ficou imóvel. Congelado no tempo. Spike, da mesma forma. Outros dois alunos que estavam perto também paralisaram.

James piscou, atordoado.

Tinha usado seus poderes.

Sem querer.

E agora... todos estavam olhando para ele.

James estava parado no centro da sala, o peito subindo e descendo com a respiração acelerada. Sua mente fervilhava. Os olhos ainda brilhavam em vermelho enquanto ele observava os corpos paralisados de Roberto, Spike e dois outros alunos. Não sabia como aquilo havia acontecido — só que estava acontecendo. E era ele quem estava no controle.

Ou melhor… sem controle.

As mãos de James tremiam levemente. Um sentimento de pânico sutil o invadia conforme ele percebia a extensão do que havia feito. Sem intenção, sem preparo. Seus poderes haviam se ativado no auge da emoção. E agora ele não sabia como desligá-los.

Os alunos que estavam na sala se entreolhavam, murmurando em choque. O ar estava pesado, silencioso. Até que uma voz firme e familiar rompeu o ambiente.

— Kitty: Mas que diabos está acontecendo aqui?

Kitty Pryde atravessou a entrada da sala com passos decididos. Ao se deparar com Roberto petrificado no meio do cômodo, Spike estático e outros dois alunos paralisados como estátuas, seu olhar se contraiu em confusão e alerta. A televisão explodida, a maçã mordida caída no chão, os móveis fora de lugar… o cenário era o de um caos recente.

Ela se voltou para James, exigindo uma explicação com o olhar.

James engoliu em seco, tentando organizar as palavras.

— James: Roberto e Spike estavam brigando feio, Roberto se descontrolou, alguém tinha que pará-lo, ele não queria me ouvir, ia matar Spike. Estou controlando o sangue dele, impedindo de se mover, porém eu não sei como estou fazendo isso e nem como parar.

A voz dele vacilava entre medo e incerteza. Havia algo cru, dolorosamente verdadeiro em seu tom — um garoto assustado com o que era capaz de fazer.

Kitty permaneceu alguns segundos o observando em silêncio. Então, com calma, colocou a mão sobre o ombro dele.

— Kitty: Calma, você precisa manter a calma e se concentrar. Precisamos manter Roberto e os outros paralisados por um momento até que você consiga desligar seus poderes.

James assentiu lentamente, fechando os olhos por um breve momento. Inspirou fundo. Tentava se manter firme, mas sua expressão o traía — ele estava em pânico.

As veias de seus braços pulsavam em tons escarlates conforme ele tentava conter a energia que ainda vibrava dentro de si. Ele inspirou outra vez, mais devagar, os dedos ainda tremendo.

— James: Eu vou tentar soltar eles agora.

Sua voz saiu como um sussurro.

Kitty permaneceu ao lado dele, atenta, como se pudesse ajudá-lo com a presença.

James fechou os olhos, canalizando toda sua atenção. Visualizava o sangue fluindo, os músculos tensos, os movimentos contidos — e então, um a um, soltando os nós invisíveis de sua força.

Os olhos de Roberto se moveram primeiro. Em seguida, os ombros relaxaram. Spike deu um leve tranco no corpo, como se tivesse voltado de um transe. Os dois alunos próximos começaram a se mexer, confusos.

Roberto piscou, cambaleando para trás. Sua forma mutante desapareceu, os traços solares sumindo lentamente, dando lugar ao Roberto de sempre — suado, cansado, mas humano novamente.

James o observava com culpa e preocupação.

— James: Roberto... sinto muito, eu... eu só não queria que você machucasse o Spike.

Roberto ainda respirava pesado. A raiva ainda estava em sua expressão, mas algo havia mudado. A selvageria dava lugar ao controle. Ele olhou para James, passando a mão no rosto, tentando se recompor.

— Roberto: Cara, você praticamente congelou meus miolos... o quão forte é o seu poder?

James abriu a boca, mas não respondeu. A verdade era evidente no seu silêncio: ele não sabia.

Kitty interrompeu o momento, agora mais séria. Seus braços cruzados, a testa franzida.

— Kitty: O que diabos foi isso? Vocês dois quase se mataram...

A voz dela não era de raiva, mas de autoridade. Roberto e Spike se entreolharam. O peso da bronca os atingiu como uma onda depois do calor da batalha.

Spike ainda parecia atordoado. A fumaça em sua camisa esfarrapada, o cabelo desgrenhado. Roberto, embora recuperado, mantinha o olhar no chão, o maxilar travado.

Eles não disseram nada. Apenas abaixaram a cabeça em silêncio, como dois garotos pegos no flagra.

— Vamos. Sala do Professor Xavier. Agora. — ordenou Kitty.

Os dois não discutiram. Apenas seguiram obedientes.

Antes de deixar a sala, Kitty parou na porta, voltando-se para James com um olhar mais gentil.

— Kitty: Você agiu bem, James. Usou seus poderes para evitar algo pior. Com o tempo, você vai aprender a manusear melhor seus poderes, e fará coisas incríveis com eles, acredite.

James se endireitou um pouco mais, encorajado pelas palavras.

— James: Você tem razão, Kitty. Eu só queria que o Roberto não acabasse matando aquele idiota.

Kitty riu brevemente pelo nariz enquanto virava de costas, já saindo da sala. Ao passar pelos destroços da televisão, parou por um instante e lançou um olhar de canto para Roberto.

— Kitty: Você sabe que vai ter que pagar por isso, não sabe, da Costa?

Roberto olhou para a TV destruída, cruzando os braços com um suspiro.

— Roberto: Sim, sei disso. Mas de qualquer modo, dinheiro não é problema, senhorita Pryde. Eu resolvo isso com uma ligação.

O tom despojado, quase debochado, já voltava ao habitual Roberto confiante. Kitty soltou um suspiro resignado e revirou os olhos.

— Kitty: Claro. Só um telefonema e o dinheiro cairá do céu, é?

Disse com leve sarcasmo, enquanto os passos dela ecoavam pelos corredores da mansão, os dois adolescentes a seguindo com menos arrogância — e um pouco mais de humildade.

James ficou parado por alguns segundos, encarando os restos da televisão e a maçã mordida no chão. Seu peito ainda pesava, mas uma semente de algo novo brotava ali: a sensação de que, mesmo sem entender seus poderes... ele havia feito a coisa certa.

 — SALA DE AULA DE CIÊNCIAS DA COMPUTAÇÃO | INÍCIO DA TARDE

A sala de aula era ampla, bem iluminada e moderna. Fileiras de computadores de última geração preenchiam o espaço, divididos em estações com monitores duplos, teclados mecânicos e cadeiras ergonômicas. Algumas telas já estavam ligadas, exibindo códigos ou interfaces de sistemas operacionais em repouso. O som ambiente era preenchido por conversas animadas, o tilintar de mochilas sendo abertas e bancos deslizando pelo chão.

James entrou no ambiente com passos lentos, os olhos varrendo a sala. Ele notou rapidamente que os lugares nas melhores estações estavam sendo disputados, com alunos empurrando-se discretamente e tentando garantir uma posição estratégica.

Ele encontrou um assento vazio ao lado de uma estação intermediária e acomodou-se ali. Ainda sentia o resquício da adrenalina da manhã — a briga, a paralisia, o susto. Mas agora tentava se concentrar na aula.

Os outros alunos continuavam entrando e se acomodando. O burburinho só diminuiu quando a figura de Kitty Pryde entrou pela porta da frente com seu laptop nos braços e uma postura determinada.

Ela colocou o computador sobre a mesa do professor, abriu-o e começou a preparar o conteúdo. Levantou os olhos com firmeza.

— Kitty: Atenção, pessoal. Por favor, sentem-se.

As vozes cessaram quase imediatamente. Os alunos sabiam que, embora jovem e carismática, Kitty não tolerava bagunça em sala.

Ela se apoiou levemente na mesa, observando a turma com um sorriso contido.

— Kitty: Boa tarde a todos. Antes de começarmos a aula, eu tenho um anúncio importante a fazer.

Alguns alunos murmuraram, trocando olhares curiosos. James endireitou-se na cadeira, atento.

Kitty digitava rapidamente no teclado, abrindo alguns arquivos enquanto falava.

— Kitty: Calma, pessoal. Por favor, prestem atenção.

O silêncio se restabeleceu.

— Kitty: Então, como eu disse, eu tenho um anúncio importante a fazer. Nós estivemos trabalhando em um projeto especial aqui na escola, e finalmente conseguimos aprovação para realizar ele a partir de agora.

Um novo burburinho tomou conta da sala. A palavra “projeto especial” acendeu a imaginação de todos — desde “torneio interdimensional” até “novo laboratório”.

Kitty respirou fundo, então revelou:

— Kitty: Estamos começando um clube de cibersegurança.

Alguns alunos pareciam visivelmente empolgados. Outros, menos interessados, apenas arqueavam as sobrancelhas ou suspiravam discretamente.

— “Cibersegurança?” — perguntou um garoto da fileira da frente, com a testa franzida. — Que tipo de coisas faremos nesse clube?

Kitty assentiu, mantendo o tom didático.

— Kitty: Bem, o clube de cibersegurança vai focar-se em ensinar habilidades de segurança cibernética aos membros. Isso inclui coisas como proteger sistemas de computador, detectar ameaças online e também aprender habilidades de hacking ético.

David Alleyne, o conhecido Prodígio, ergueu a mão rapidamente, já com uma pergunta formulada.

— Prodígio: E qualquer um poderá entrar nesse clube, senhorita Pryde? Ou terá algum tipo de prova para testar nossas habilidades cibernéticas antes?

Kitty sorriu com satisfação, reconhecendo o interesse sincero no olhar dele.

— Kitty: Fico feliz em ver que você está interessado. E sim, qualquer um será capaz de entrar no clube, mas teremos algumas sessões de treinamento iniciante para quem nunca teve contato com essa área.

Ela pausou, clicando em outra aba do computador.

— Kitty: E para pessoas mais avançadas como você, teremos desafios para te testar de acordo com o seu nível.

David assentiu, satisfeito com a resposta. Um pequeno sorriso se formou no canto de seus lábios.

— Prodígio: Entendi, isso parece muito interessante.

Ao lado, uma figura esparramada sobre a cadeira estalou a goma de mascar com desdém. Jubileu, com seu estilo irreverente e olhar debochado, lançou sua própria pergunta com ironia.

— Jubileu: Com licença, senhorita Pryde, e para aqueles como eu que têm vida social, que não são nerds nem esquisitos, nós não seremos obrigados a entrar nesse tal clube, né?

Ela estourou uma bolha rosa-choque entre os lábios e sorriu com falsa inocência.

Kitty franziu o cenho, claramente irritada.

— Kitty: Eu não obrigaria ninguém a se juntar a um clube, Jubileu.

Ela se endireitou, o tom levemente mais firme.

— Kitty: Mas eu sugiro que você não chame quem ama esse assunto de esquisito ou nerd. É desrespeitoso.

Jubileu apenas revirou os olhos com desdém, cruzando os braços.

— Jubileu: Fala sério, eu só estava brincando.

Kitty suspirou, ignorando a provocação.

— Kitty: Bem, para aqueles que querem se inscrever no clube, teremos uma reunião depois das aulas para mais detalhes.

Ela voltou a digitar no laptop. Mas antes que pudesse continuar, um som estridente de bip ecoou pela sala, vindo de diversos smartphones ao mesmo tempo. Os alunos imediatamente pegaram os aparelhos, as telas brilhando com notificações urgentes.

— Jubileu: Ai meu deus, notícia quentíssima.

Ela se levantou da cadeira, os olhos arregalados na tela.

— Jubileu: Os X-Men derrotam Magneto e impedem o terrorista de começar uma guerra, frustrando seu plano de enviar mísseis na Rússia e na China.

O efeito foi imediato. Palmas. Assobios. Gritos contidos. A sala entrou em clima de comemoração. Alunos trocaram expressões surpresas e orgulhosas.

— "Caramba, Magneto realmente teve coragem de fazer isso?"

— "Nossa, os X-Men são tão geniais!"

Enquanto isso, Kitty se manteve imóvel. Os olhos escureceram brevemente. Ela fechou o laptop com mais força do que o necessário.

Depois de alguns minutos de euforia, ela ergueu a voz.

— Kitty: Pessoal, por favor, calma.

Os murmúrios diminuíram aos poucos.

— Kitty: Como vocês já devem ter visto, os X-Men fizeram mais uma vez seu trabalho e impediram que Magneto iniciasse uma possível terceira guerra mundial.

Prodígio se levantou, guardando o celular no bolso com ar de reflexão.

— Prodígio: É bom ver que nossos heróis estão fazendo algo, enquanto eu estava estudando ciências, eles estavam salvando o mundo.

James, ainda sentado, olhava fixamente para seu celular. A imagem de Magneto flutuando no ar, dos raios de Tempestade, da fúria de Ciclope, tudo voltava à sua mente como um filme.

Ele se lembrou do momento exato em que a transmissão foi cortada... e de como, por um instante, ele desejou estar entre eles.

Não como um espectador.

Mas como um deles.

 — ÁREA EXTERNA DA MANSÃO X | INTERVALO

Sob a sombra ampla e acolhedora de uma árvore frondosa, uma mesa de madeira abrigava um grupo de alunos conversando e compartilhando o lanche do intervalo. Um clima de leveza reinava entre eles, ainda que, por trás dos sorrisos e piadas, ecos da manhã intensa ainda pairassem no ar.

James se aproximou com uma bandeja nas mãos. Seu olhar percorreu o grupo antes de se sentar ao lado de Roberto, que mordia preguiçosamente uma maçã. Também estavam ali Jubileu, Sam e Amara, espalhados em posições descontraídas ao redor da mesa.

— James: Caras, vocês viram a notícia?

Ele perguntou, acomodando-se no banco de madeira e repousando o copo de suco ao lado.

O assunto era inevitável: o recente feito dos X-Men ao impedirem Magneto de iniciar uma guerra nuclear.

Roberto assentiu com a cabeça, mastigando lentamente, antes de abrir um sorriso satisfeito.

— Roberto: Eu vi, mano. Aqueles caras são geniais.

Sem aviso, ele passou o braço pelo ombro de James num gesto afetuoso e natural.

James sentiu o toque e, de súbito, o calor subiu até suas bochechas. Surpreso pela aproximação, tentou disfarçar seu embaraço com um gole apressado de suco de laranja.

Roberto percebeu o rubor nos olhos de James e deu um sorriso maroto.

— Roberto: Ei, não precisa ficar tão vermelho assim.

Provocou em tom brincalhão.

— James: Cala boca.

Respondeu entre risos, afastando-se do abraço com um leve empurrão, mas sem qualquer traço de hostilidade.

— James: Mas e aí, cara, o que rolou com você e Spike? O professor castigou vocês pela briga?

Roberto deu de ombros, como se a situação tivesse perdido qualquer peso.

— Roberto: Nem foi tão ruim, só tivemos que limpar a lavanderia.

O tom era entediado, mas havia um certo alívio por não terem enfrentado consequências mais sérias.

Após um breve silêncio, Roberto olhou de lado, curioso.

— Roberto: O que rola entre você e o Spike? Você ficou muito preocupado quando eu quase quebrei a cara daquele idiota.

— James: O quê? Nada, nada, não viaja, ele é só meu colega de quarto, meu colega de quarto insuportável.

A expressão enojada que James tentou forçar não convenceu. Havia um traço de nervosismo em sua voz que não passou despercebido.

Roberto arqueou uma sobrancelha, ainda brincando.

— Roberto: Só colega de quarto, é?

James respondeu com um gesto: o dedo do meio levantado em protesto, fazendo o grupo rir.

— Roberto: É bom mesmo, você merece alguém muito melhor do que aquele aprendiz de Magneto.

James revirou os olhos, tentando esconder — sem sucesso — o novo rubor em suas bochechas.

— James: Ele não é aprendiz de ninguém, ele é só um idiota arrogante.

Cruzou os braços, como se isso encerrasse o assunto. Mas Roberto continuou com o mesmo tom cortante.

— Roberto: Você viu o jeito que aquele imbecil defendeu Magneto? Isso não me surpreende. Terrorista defende terrorista.

James desviou o olhar e voltou sua atenção para as batatas fritas na bandeja. O clima havia mudado. Roberto notou e, sensível ao desconforto, decidiu mudar de assunto.

— Roberto: Então cara, tem alguém que você esteja interessado? Que você está de olho?

James engasgou levemente com o suco, tossindo discretamente. A pergunta pegou-o completamente desprevenido.

Jubileu, Sam e Amara congelaram. A atenção se voltou toda para James.

— James: Hum, não, quer dizer, eu não sei, não... acabei de chegar na Academia, nem deu tempo pra pensar nisso. Além do mais, estou focado nos estudos.

Tentou soar firme, mas estava óbvio que o desconforto o dominava.

Roberto riu com escárnio, claramente não convencido.

— Roberto: Aham, é claro, você está “focado nos estudos”.

Jubileu mexia seu copo com um canudinho colorido, os olhos brilhando de malícia. Ergueu uma sobrancelha.

— Jubileu: Fala sério. Você tem certeza que não tem ninguém que te chama a atenção aqui, James?

— James: Hum, não. (Ele hesitou por um momento.) Quer dizer, claro que tem, me chama atenção... porém, não estou caidinho ou nada do tipo, só acho a pessoa bastante atraente.

Enquanto falava, seus olhos se voltaram inconscientemente na direção de Roberto. Assim que percebeu, desviou o olhar bruscamente, mas o rubor em seu rosto foi mais revelador do que qualquer palavra.

O grupo ficou em silêncio por um segundo. Jubileu não perdeu tempo.

— Jubileu: James, você prefere meninas ou meninos?

Disse com um sorrisinho, levando um pirulito em forma de coração até a boca.

— Amara: Jubileu, isso é coisa que se pergunte?

Retrucou, visivelmente incomodada.

— Jubileu: Ué? É a coisa mais normal do mundo, não entendi a indignação, Amara.

— Amara: É uma pergunta muito invasiva e delicada.

— Jubileu: É só uma pergunta. Ele não precisa responder se não quiser, ninguém está ameaçando ele.

James permaneceu em silêncio, sentindo o olhar de todos sobre si. Suas mãos tremiam levemente sob a mesa.

Roberto percebeu isso, e interveio com firmeza, seu tom mais protetor agora.

— Roberto: Ei, vamos com calma galera. É uma pergunta muito pessoal. Cada um tem o direito de responder ou não.

James ergueu os olhos para ele, grato.

— James: Hum, tudo bem Roberto, eu não me importo de responder.

Respirou fundo.

— James: Eu curto meninos e meninas, não tenho uma preferência.

Um breve silêncio caiu sobre o grupo. Todos absorviam a informação.

— Jubileu: Oh, então isso quer dizer que você é bissexual?

— James: Hum, eu nunca pensei muito sobre isso... mas pode-se dizer que sim.

— Roberto: Legal, cara. Esse é dos meus. Porque escolher só um se você pode pegar geral?

Disse rindo, enquanto dava um tapinha no ombro de James. O coração de James acelerou com o gesto. A naturalidade de Roberto era reconfortante.

— Jubileu: Você não é bissexual, Roberto, você é um tremendo galinha.

Acusou com ironia.

Roberto deu uma gargalhada, jogando a cabeça para trás.

— Roberto: Eu estou apenas apreciando as melhores coisas da vida, cara.

Ele piscou de forma exagerada, recostando-se no banco com a confiança típica.

Jubileu revirou os olhos e então lançou mais uma pergunta:

— Jubileu: Então James, quer dizer que você já ficou com algum garoto?

James apertou os lábios, hesitou por um instante.

— James: Hum, já... bem, uma vez.

Olhou para o próprio colo, evitando os olhares.

— Amara: Bom, satisfeita agora, Jubileu? Ou você vai continuar com a entrevista?

Ironizou com um tom azedo.

Jubileu fez uma careta dramática.

— Jubileu: Eu só estava tentando saber um pouco mais sobre o nosso mais novo colega de classe, cara.

— Amara: Uhum. Sei. Quem não te conhece que te compre, garota.

TRRRRIIIIIMMM

O sinal do fim do intervalo ecoou pelo jardim. Os alunos começaram a se levantar, alguns ainda lançando olhares curiosos a James, outros apenas retomando o dia normalmente.

Roberto levantou-se e estendeu a mão para pegar a bandeja de James.

— Roberto: Eu levo pra você.

— James: Obrigado, cara.

Respondeu, ainda um pouco corado, mas visivelmente aliviado por tudo ter acabado sem julgamento — e com mais apoio do que esperava.

 DORMITÓRIO DE JAMES E SPIKE | TARDE

A porta do dormitório se abriu com um leve rangido quando James entrou apressado, ainda segurando parte do lanche que não teve tempo de terminar. A próxima aula seria treino de aptidão física, e ele precisava trocar de roupa. A expressão em seu rosto era tranquila — até ele levantar os olhos.

Parou abruptamente na porta.

Bem no meio do quarto, completamente nu, Spike terminava de procurar seu short de corrida em meio a uma bagunça de roupas jogadas pelo chão.

O corpo de James congelou, e seu rosto ficou imediatamente vermelho. Ele virou o rosto com pressa, olhando para a parede.

— James: C-cara, o quê... que porra é essa? Você nem se dá o trabalho de trancar a porta no mínimo?

Sua voz saiu meio aguda, meio irritada.

Spike se virou com a mesma naturalidade irritante de sempre, seus movimentos lentos e desinteressados, como se o flagrante não tivesse importância nenhuma. O olhar dele era carregado de desdém.

— Spike: Não precisa ficar todo encabulado, cara. Não é como se eu tivesse com pau duro ou qualquer bosta do tipo. E além do mais, não é nada que você já não tenha visto ou tocado antes.

Disse com um sorriso presunçoso e relaxado, enquanto segurava o short.

James sentiu seu rosto esquentar ainda mais. O peito subia e descia com respiração desconcertada, e sua voz gaguejou.

— James: C-cara, eu— eu— Mas e daí? Só porque nós já ficamos algumas vezes, não quer dizer que eu quero ficar vendo você pelado por aí, toda hora.

A tensão enchia o ar feito eletricidade antes de uma tempestade.

Spike soltou uma risada baixa, sem remorso, vestindo finalmente o short de treino. Seus olhos ainda passeavam por James com aquela típica expressão maliciosa.

— Spike: Não precisa ficar nervoso por minha causa, cara.

Respondeu, agora já vestido, mas ainda desfilando confiança.

James bufou, tentando disfarçar a confusão interna. Tirou a própria camiseta num puxão brusco e a jogou em direção à cama com raiva contida.

— James: Eu não estou nervoso, seu idiota.

Spike não parava de observar. Agora encostado na parede, braços cruzados atrás da cabeça, ele examinava o torso exposto de James com uma expressão que beirava o debochado.

— Spike: Sei...

Respondeu com um sorriso enviesado.

— James: Vai ficar pra ver o show?

Disse em tom de indignação, enquanto começava a tirar as calças, ficando apenas de cueca.

— James: Vai à merda, Spike.

Ele atirou a calça em direção ao colega, que se esquivou facilmente, ainda rindo.

— Spike: Putz, você é um chato.

Comentou com leveza, e logo deu alguns passos à frente.

— Spike: Já faz um tempo desde que fizemos algo juntos, não?

James já estava vestindo o short quando notou a aproximação. Seu olhar endureceu.

— James: Sabe que eu nem me lembro mais.

Falou com frieza, lendo com precisão as intenções por trás do movimento.

Spike ignorou o desdém e chegou ainda mais perto. Seu corpo roçou contra o de James, e suas mãos pousaram firmemente nos ombros do colega. Ele se inclinou, a voz baixando até virar um sussurro rouco.

— Spike: Eu me lembro...

A respiração quente de Spike tocou o pescoço de James, e todos os pelos de seu corpo se arrepiaram. Num impulso, James se afastou bruscamente, recuando dois passos, os olhos agora completamente escarlates.

— James: O que está fazendo? Nós temos aula agora. Você não se cansa de ser tão inconveniente, não?

A irritação estava evidente, mas havia também algo não resolvido nos olhos dele.

Spike suspirou, como quem perde o interesse.

— Spike: Eu só estou tentando te provocar, óbvio. E você que é muito difícil de lidar.

Virou-se de costas, frustrado, cruzando os braços.

James puxou uma regata limpa do armário e a vestiu com firmeza. Uma toalha de rosto foi lançada sobre o ombro, enquanto ele encarava Spike com ironia.

— James: Parece que vamos ter a mesma aula, infelizmente.

Spike virou os olhos, soltando um riso curto.

— Spike: Vai ser divertido, não é? Um pouco de competição amistosa...

E antes de sair, deu um tapa no traseiro de James, em provocação descarada.

— James: Filho da put...

James gritou, mas Spike já havia passado pela porta, desaparecendo pelo corredor.

Com raiva, James bateu a porta atrás de si com força. Ficou alguns segundos parado, sozinho no quarto, respirando fundo. A confusão que Spike sempre deixava para trás parecia impregnada no ar.

Ele passou a mão no rosto, tentando se recompor, e saiu em direção à aula de treino, ainda fervendo por dentro.

O sol brilhava com intensidade sobre o vasto gramado da mansão Xavier, onde a aula de aptidão física estava prestes a começar. James cruzava o campo com passos apressados, o calor do fim de tarde martelando em sua pele. O gramado estava cheio de obstáculos e aparelhos de treino espalhados, e os outros alunos já se aqueciam sob o céu azul sem nuvens.

Assim que chegou, James reconheceu Roberto entre os alunos. Ele estava usando um short de ginástica justo que deixava suas pernas fortes à mostra. A luz do sol parecia dançar sobre sua pele, como se fosse absorvida por ela. A visão foi tão intensa que James quase tropeçou ao caminhar. Roberto acenou com um sorriso radiante – mais brilhante que o próprio sol – e James sentiu o coração acelerar.

James retribuiu o aceno, se aproximando.

James: Hey cara, tudo bom?

Ele largou a toalha sobre um aparelho de ginástica próximo, tentando parecer casual. Ao fundo, Spike observava a interação com um olhar sombrio, sem se esconder.

Roberto: Tudo ótimo, cara. Tava aqui me aquecendo pra aula.

Ele flexionou o braço esquerdo, exibindo seus músculos com uma naturalidade provocante. James soltou uma risada abafada, tentando parecer à vontade.

James: Você faz questão de mostrar que está pronto pra essa aula, hein cara?

James começou a se alongar ao lado dele, aproveitando para observar o campo.

James: Hum, Roberto, quem é o treinador?

Roberto: Geralmente quem dá essa aula é o Wolverine, mas acho que hoje teremos um treinador substituto já que Logan saiu em missão com os X-men. O que é uma coisa boa, não me entenda mal, Logan é um excelente treinador, porém é osso duro de roer. Ele exige demais da gente, nos levando quase à exaustão.

James assentiu com a cabeça, aliviado e curioso. Antes que pudesse perguntar mais, um homem alto, atlético e absurdamente charmoso se aproximou. Seus cabelos castanhos caíam com leveza sobre a testa, e seus olhos – de esclera negra e íris vermelha – chamaram imediatamente a atenção de James.

Gambit: Prestem atenção aqui mes amis, eu sou Gambit e estarei substituindo Wolverine no treino de hoje.

O sotaque francês soou como música aos ouvidos de James, que o observava com uma mistura de encantamento e surpresa. Ele se virou discretamente para Roberto e sussurrou:

James: Bem, pelo visto nosso treinador substituto é um francês muito charmoso.

Roberto: Verdade, espero que ele não seja tão rigoroso quanto o Wolverine.

Gambit: Olá mes amis.

Ele se aproximou do grupo, cruzando os braços enquanto avaliava os alunos.

Gambit: Estou substituindo Wolverine hoje, então vou ser o responsável pelo treino de vocês. Estou ansioso para ver o quanto vocês são capazes de aguentar.

Sam: Espera aí, você vai nos torturar hoje?

James: Eu não me importaria de ser torturado por esse francês bonitão.

Sussurrou só para Roberto ouvir. O garoto ao lado soltou uma gargalhada e o cutucou levemente com o cotovelo.

Roberto: Ei, não me diga que você se apaixonou pelo nosso treinador substituto?

James: Não, mas não seria difícil viu.

Roberto: Cara, hoje você está impossível, parece até que está no cio.

Gambit continuava com um sorriso de canto de boca enquanto dava instruções.

Gambit: Não vou torturar ninguém monsieur, mas vou desafiá-los a ultrapassar seus limites.

James: Você está pronto para se superar hoje, garotão?

Roberto: Estou pronto pra isso, não vou deixar você passar na minha frente.

James: Você pode tentar, mas eu vou mostrar pra você do que eu sou capaz.

Gambit: Ceci, ceci, adoro ver um pouco de rivalidade entre vocês.

Spike: Rivalidade? Esses dois panacas? Só se estiverem competindo para ver qual é o mais fraco.

Roberto: Vai sonhando, seu cabeça de pica.

James, que cruzava os braços com cara fechada, não conseguiu evitar o riso.

Gambit se colocou entre os três com uma expressão séria.

Gambit: Orra orra, calma calma. Vamos manter a paz, estamos aqui para aprimorar nossas habilidades e aprender com as experiências, não para nos desentendermos.

Spike: Vamos logo com isso.

Gambit: Clarrro, vamos começar então.

Ele se posicionou à frente dos alunos, instruindo-os com firmeza e leveza.

Gambit: Eu quero que vocês se dividam em duplas.

James se virou imediatamente para Roberto, sorrindo.

James: Vamos trabalhar juntos?

Roberto: Vamos fazer isso, companheiro.

Eles apertaram as mãos, e James sentiu o coração saltar no peito, mas controlou-se com maestria.

James: Vamos mostrar pra esses garotos do que somos capazes.

Do outro lado, Spike fazia dupla com Sam, que não escondia o desânimo. Spike, no entanto, só tinha olhos para James – e não parecia gostar nada do que via.

Gambit se aproximou da dupla.

Gambit: Bem, vocês dois, prontos?

James: Sim, estamos prontos.

Gambit: Bem, vocês têm cinco minutos para tentar me atingir. S’il te plaît, rapazes, tentem não usar seus dons mutantes. Quero avaliar a aptidão física de vocês. Então, sem trapacear.

James e Roberto trocaram um olhar tenso, engolindo seco. Sem poderes, seria quase impossível acertar um X-Men.

Ao sinal de início, James partiu em disparada. Gambit desviava com uma leveza que parecia impossível. James atacava com chutes rápidos, Roberto tentava cercar por trás, mas o francês era ágil demais. Eles tentaram coordenar ataques em dupla, mas Gambit era como fumaça, escapando com um giro elegante a cada investida.

James se esforçava ao máximo, seu corpo inteiro trabalhando em sincronia. E mesmo assim... nada.

James: Não consigo pegá-lo, ele é muito rápido.

Roberto: Não se preocupe, amigo, ainda não foi desta vez.

James: Como ele é tão rápido? Parece que ele consegue ler nossos movimentos antes de nós.

Roberto: Ele é um verdadeiro mestre do combate corpo-a-corpo.

Gambit cruzava os braços, impassível e sorridente.

O treino terminou, e James deixou o campo suado e frustrado. Ao seu lado, Roberto tirou a regata encharcada de suor. James, ao vê-lo, sentiu o tempo desacelerar. Uma gota desceu pelo peito do garoto, escorreu pelo abdômen definido e desapareceu por baixo do short de treino. James desviou o olhar bruscamente, como se tivesse sido pego num ato criminoso.

Roberto: Esse treinamento foi puxado hein, meu parceiro?

James: Nem fale, acho que nunca suei tanto em toda minha vida.

Roberto: Acho que você vai ter que tomar um bom banho depois disso.

James congelou por um segundo. O vestiário... Os chuveiros... Roberto nu... não, não.

James: Acho que vou tomar banho no meu dormitório.

Roberto: Mas é muito mais prático tomar banho aqui. Por que não podemos tomar banho juntos?

James olhou para o próprio short, já desconfortável com a situação. Entrou em modo de emergência.

James: É que eu não me sinto confortável em ficar pelado na frente de um monte de gente. Mas a gente se vê no jantar, até mais amigo.

E saiu correndo pelo campo, deixando Roberto parado e confuso.

Já dentro da mansão, James desacelerou os passos. O burburinho no corredor chamou sua atenção. O X-Jato acabara de pousar, e de dentro dele desciam Ciclope, Jean Grey, Wolverine, Vampira, Bobby e Colossus. Um grupo de alunos corria até eles, saudando-os com aplausos e entusiasmo. James, no entanto, desviou-se da multidão, caminhando discretamente em direção ao dormitório, ainda processando os efeitos do treino – e do Roberto suado sem camisa – em sua cabeça.

Dentro da mansão, o barulho da recepção ecoava pelos corredores, enquanto James passava pelo corredor que levava aos dormitórios. Muitos alunos se juntavam para dar as boas-vindas aos heróis, enquanto outros apenas cumprimentavam brevemente e seguiam seu caminho. James finalmente chegou aos dormitórios, enquanto se afastava do barulho da recepção e procurava pelo próprio quarto.

James ficou muito aliviado por ter o quarto só pra ele no momento. Não surportaria as piadinhas que Spike iria fazer se o visse naquela situação constrangedora. James não pensou duas vezes e foi direto para o banheiro,ele fechou a porta atrás de si, enquanto sentia a tensão em seu corpo crescer cada vez mais,Ele precisava desesperadamente tirar toda aquela tensão e desejo de seu corpo o mais rápido possível, enquanto fechava seus olhos a única imagem que vinha a sua mente enquanto ele se tocava, era a de Roberto, pensamentos impróprios e desejos impuros invadiam sua mente. Ele tentou se controlar, enquanto sentia o desejo crescer dentro de si, enquanto desejava poder ser tocado por aquele corpo perfeitamente definido, aquela pele dourada e suada...

James continuou a se tocar, enquanto imaginava as mãos de Roberto percorrendo seu corpo. Ele tentou controlar seus pensamentos, porém eles insistiam em voltar para aquele corpo perfeito, aqueles músculos fortes  e aquela pele morena que ele tanto desejava tocar, sentir na palma de suas mãos. Ele aumentou a velocidade de seus movimentos, enquanto o desejo e a luxúria se apoderavam dele.

O calor dentro do banheiro aumentou, enquanto James continuava a se tocar, enquanto sua mente continuava a divagar por pensamentos proibidos. Ele podia sentir a excitação percorrer seu corpo, enquanto imaginava as coisas que gostaria de fazer com Roberto, de sentir a pele dourada contra a sua, sentir o corpo suado e quente colado no seu, enquanto eles se entregavam um ao outro...

James se perdia nos próprios desejos, seu corpo pulsando com a excitação e a vontade. ele podia sentir o suor escorrer por todo o seu corpo
Ele aumentou a velocidade de seus movimentos, enquanto imaginava o corpo de Roberto próximo do seu, enquanto o desejo dentro dele atingia seu auge, enquanto ele desejava mais do que tudo poder tocar, sentir e possuir aquele corpo perfeito.

James: Oh! Hum,Oh! Porra...Caralho...

Disse fraco em meio a gemidos contidos de prazer, enquanto ejaculava em si mesmo. 

James conteve seus gemidos enquanto se entregava, enquanto o prazer percorria seu corpo. Ele apoiou-se contra a parede tentando recuperar o fôlego, enquanto o suor escorria por seu rosto e por todo seu corpo. Ele fechou os olhos enquanto ainda tentava reunir suas forças novamente, enquanto a imagem de Roberto continuava presente .

Ele encarou seu próprio reflexo no espelho, sentindo uma espécie de prazer culposo pelo que tinha acabado de fazer. Ele ligou o chuveiro e entrou debaixo da agua fria e refrescante que foi quase um alento para o seu corpo quente. 

Enquanto a água fria lavava seu corpo, James refletia sobre seus sentimentos por Roberto e sua amizade. Ele não podia negar que sentia atração pelo amigo, a cena do vestiário havia despertado um desejo dentro dele que ele nunca imaginou possuir. Ele suspirou, enquanto apoiava as mãos na parede e permitiu que a água fria acalmasse sua mente e seu corpo.