James saiu da sala ainda zonzo, como se tivesse atravessado um redemoinho. Sua cabeça girava com tudo que havia acontecido — a tensão entre Spike e Illyana, o desaparecimento para o Limbo, a repreensão de Scott... Aquela era sua primeira aula na Academia Xavier, e já parecia ter saído de um episódio dramático de algum reality show mutante. Por um momento, achou que deveria agradecer Illyana pela experiência surreal. Mas a lembrança de Spike, atordoado e em choque, pesou em sua consciência. Por mais babaca que o cara fosse, ninguém merecia aquilo.
Adiante no corredor, encostado casualmente contra uma parede, Bobby Drake esperava por ele, conforme prometido. Sem perder tempo, Bobby deu um sorriso leve e fez sinal com a cabeça para que o acompanhasse. Estava na hora da próxima aula: Bioquímica Avançada com o professor Hank McCoy.
Os corredores fervilhavam de estudantes trocando de sala, e James seguiu Bobby até o laboratório. Assim que cruzaram a porta, James ficou impressionado com o ambiente: bancadas impecáveis, equipamentos de ponta e um cheiro leve de reagente químico no ar. Tudo ali exalava ciência e conhecimento.
No fundo da sala, de costas, estava Hank McCoy — o lendário Fera — ajeitando alguns papéis em sua mesa. Ao ouvir os passos se aproximando, ele se virou com um sorriso caloroso.
Hank: Ah, bom dia, jovens. Sejam bem-vindos à aula de bioquímica avançada!
James o encarou, surpreso. Aquela criatura azul e peluda à sua frente parecia ter saído de um conto de fantasia — mas usava jaleco, óculos e falava com uma educação e inteligência que contrastavam com sua aparência bestial. Tentou não encarar demais. Não queria parecer mal-educado, muito menos julgá-lo. Na verdade, sentia-se mais intrigado do que qualquer outra coisa.
Hank notou a expressão de James e soltou uma risadinha simpática. Aquilo já era rotina para ele.
Hank: Sim, eu sei que minha aparência pode ser um pouco... diferente. Mas confie em mim, eu ainda sou o mesmo professor McCoy por dentro.
Com um gesto acolhedor, convidou James a se aproximar.
James sentiu um leve aperto no peito. Sabia bem o que era ser olhado como se fosse estranho. Levantou o rosto e olhou Hank nos olhos, revelando seus próprios olhos escarlates.
James: Eu sei o que o senhor quer dizer, professor.
Disse com sinceridade, antes de ir se sentar.
O olhar de Hank se deteve por um instante nos olhos do garoto, visivelmente intrigado.
Hank: Bem, você é interessante. Nunca vi olhos assim antes. Eu admiro sua honestidade também.
Em seguida, o professor se acomodou, abriu um caderno e preparou-se para dar início à aula.
Hank: Então, vamos começar. Hoje estaremos estudando bioquímica avançada, começando com a estrutura e função das proteínas. Alguém sabe o que é uma proteína?
De repente, alguém se sentou ao lado de James com energia demais para aquele início de aula.
Roberto: É o peito de frango que eu comi ontem no almoço, professor.
Disse Roberto da Costa, soltando um sorriso largo e provocante. A classe explodiu em risadas.
Hank esboçou um sorriso, mesmo tentando manter a compostura.
Hank: Haha, muito engraçado, Roberto. Mas eu estava falando de proteínas no contexto da bioquímica, não do aspecto culinário. Na verdade, proteínas são grandes moléculas que têm várias funções importantes no corpo, tais como a construção das estruturas celulares e a participação em reações químicas.
Enquanto Hank falava, James parou de ouvir. Seu foco estava totalmente no garoto ao seu lado.
Roberto era... magnético.
A pele morena parecia brilhar sob a luz artificial do laboratório. Os olhos amendoados tinham um brilho travesso e hipnotizante. O cabelo cacheado, perfeitamente arrumado. Mas era o sorriso — aquele sorriso — que roubava toda a atenção. Iluminava o ambiente, e James não conseguia evitar olhares discretos de canto de olho.
Roberto percebeu.
Virou-se devagar para encará-lo, os olhos percorrendo as feições simétricas de James até pousar nos olhos vermelhos.
Então, com aquele mesmo sorriso encantador, soltou:
Roberto: Apreciando a vista?
James: Hum, D-desculpe, eu não queria ficar encarando.
Respondeu envergonhado.
Roberto riu, sem se ofender.
Roberto: Relaxa, cara. Eu geralmente causo esse efeito nas pessoas. Não posso evitar ser tão perfeito.
Disse com um tom entre brincalhão e presunçoso.
Roberto: Eu sou Roberto, mas pode me chamar de Beto. Então... você é o cara novo, certo? Não te vi por aqui antes.
James: Sim, sou eu. Quer dizer, James. Meu nome é James.
Roberto: Seja bem-vindo. Espero que esteja sendo bem recebido. Sei como pode ser difícil a vida de novato. Não conta pra ninguém, mas eu também já fui um.
Completou com outro de seus sorrisos devastadores.
A simpatia de Roberto desmontou um pouco da armadura social de James. Era bom ser bem recebido, mesmo que de forma tão... encantadora.
James: Obrigado, Roberto. A princípio as coisas têm sido legais. É só que... Eu ainda estou me adaptando a tudo, sabe? É um pouco diferente do que eu estava acostumado.
Roberto: Eu entendo. Hum... Se você estiver a fim de se enturmar, é só colar comigo. Sou o cara certo pra isso. Você está olhando para o cara mais popular desta escola. Pode deixar que eu te apresento pra galera.
Disse brincando, apontando os polegares para si mesmo com confiança.
James não conteve uma risada diante da autoestima transbordante.
James: Haha, bom saber que estarei em boa companhia. Eu adoraria me enturmar. E, tendo o cara mais popular como guia, provavelmente facilita as coisas.
Enquanto os dois conversavam, Hank continuava explicando as funções das proteínas — estruturais, reguladoras e enzimáticas — antes de projetar uma simulação da estrutura molecular na parede.
Hank: Bom, pessoal, agora que vocês entenderam a importância das proteínas, vamos passar para o próximo tópico de hoje... Ácidos nucléicos.
Quando a aula chegou ao fim, James caminhava pelo corredor, procurando por Bobby, como haviam combinado. Mas antes que pudesse encontrá-lo, sentiu um par de braços se enrolarem de repente ao redor de seu pescoço.
Roberto: James não precisa mais dos seus serviços, Bobby. Pode deixar que eu cuido dele. Pode ir lá chupar um picolé que eu levo ele para o refeitório.
Brincou, com tom teatral. James não protestou.
Bobby, que vinha pelo lado oposto, riu da cena.
Bobby: Bom, se você tem certeza, Beto. Vou lá encontrar com John e os demais.
Ele acenou para James, que respondeu com um sorriso tímido.
Roberto: Agora você é meu.
James: E isso é uma coisa boa, certo? Porque soou como ameaça.
Disse rindo, enquanto caminhava com Roberto ainda abraçado a ele.
Roberto riu alto e apertou um pouco mais os braços em torno de James.
Roberto: Oh, não é uma ameaça, é uma promessa. Você agora faz parte da minha turma. Pode confiar em mim, sempre cuido do que é meu.
James: Então agora eu sou seu?
Disse com uma sobrancelha arqueada.
James: Bom, já que eu não tenho escolha, por favor, me leve para o refeitório, meu mestre. Estou morrendo de fome.
Falou em tom sarcástico, enquanto dava uma leve cotovelada no lado de Roberto para se soltar.
Roberto soltou uma gargalhada e, claro, não perdeu a piada.
Roberto: Haha, bem jogado. Claro que vou te levar ao refeitório, escravinho.
E colocou novamente o braço em volta de James, conduzindo-o pelo corredor em direção ao refeitório — dois garotos, dois mundos, conectando-se aos poucos entre provocações e sorrisos.
À medida que James e Roberto caminhavam lado a lado pelos corredores da Mansão Xavier, o burburinho dos alunos parecia seguir os passos deles. Cabeças se viravam. Olhares curiosos, surpresos, e até um pouco desconfiados, os acompanhavam como se algo extraordinário estivesse acontecendo — e, de certa forma, estava. James, o novato que mal havia chegado, já andava ao lado de um dos alunos mais populares da escola.
James sentia o peso dos olhares queimando em sua nuca. Seus ombros estavam tensos, o passo um pouco hesitante. Não estava acostumado com tanta atenção — muito menos com cochichos abafados e olhares de cima a baixo.
Roberto percebeu.
Roberto: Relaxa, garoto. Você é novo. Eles só estão curiosos. Mas não precisa se preocupar, já tenho tudo sob controle. Apenas fique calmo e mantenha sua pose.
Falou com naturalidade, enquanto cumprimentava com acenos de cabeça alguns alunos que passavam, como se a escola fosse seu próprio território.
Ao entrarem no refeitório, os olhares se multiplicaram. O lugar fervilhava de vozes e colheres batendo em bandejas, mas o burburinho aumentou consideravelmente com a entrada dos dois. James sentia cada par de olhos sobre ele, como se fosse um peixe fora d’água.
Ele tentou ignorar os cochichos e concentrou-se no verdadeiro espetáculo à sua frente: um banquete digno de filme. Era tudo self-service, com bandejas repletas de opções tão variadas que James hesitou — nunca vira tanta comida de uma vez. Pegou uma bandeja e escolheu salada, grão-de-bico e um pouco de macarronada. Ao seu lado, Roberto empilhava hambúrgueres e batatas fritas como se não houvesse amanhã.
James o observou, surpreso, imaginando como aquele garoto de físico impecável conseguia comer daquela forma. Sacudiu a cabeça, tentando afastar os pensamentos... mais especificamente, os que envolviam o tanquinho de Roberto.
Juntos, seguiram até uma mesa onde um grupo já os esperava. Assim que se aproximaram, Roberto abriu um sorriso e fez as apresentações com empolgação.
Roberto: Ei, pessoal, esse é o meu novo amigo James. Ele é novo.
— disse, apontando com a cabeça.
Roberto: James, essa é minha galera. Sam, Danielle, Amara e Jubileu.
James acenou com a cabeça, educadamente.
James: Prazer em conhecer todos vocês.
Sentou-se ao lado de Roberto, tentando parecer o mais tranquilo possível — o que não era fácil com tantas atenções voltadas a ele, principalmente a de Jubileu, que o fitava com uma expressão indecifrável.
As outras garotas sorriram e o cumprimentaram com simpatia, mas Jubileu manteve o olhar fixo nele, claramente o avaliando.
Jubileu: Hum, então você é o novato, hã? Bem-vindo à Mansão X.
O tom era sarcástico, quase desafiador.
James: Obrigado, Jubi... Jubileu, né? Nome interessante.
Rebateu no mesmo tom. Se ela queria provocá-lo, teria que tentar mais.
Jubileu franziu a testa, surpresa com a resposta, mas acabou soltando uma risadinha.
Jubileu: Hum, parece que você sabe lidar com humor sarcástico, não é? Interessante.
Sam, do outro lado da mesa, engasgou com a água tentando conter o riso.
James: É, parece que sim. Na verdade, fui obrigado a aprender, já que o meu colega de quarto não sabe se comunicar de outra forma a não ser com sarcasmo e arrogância.
Falou casualmente, bebendo um gole de suco.
Jubileu: Quem é o seu colega de quarto?
A pergunta saiu quase que instantaneamente, carregada de curiosidade.
James: Spike.
Danielle: O cara das tatuagens?
James assentiu.
Danielle: Uau, ele é gostoso.
Roberto: Ele é um otário.
Disse seco, encarando Danielle.
Jubileu: Ai meu Deus, como é que você aguentou ficar no mesmo quarto que ele? Ele é uma verdadeira praga!
James: Bom, eu não tive muita escolha, Scott me colocou lá. Porém... Spike não é tão ruim quanto dizem.
Sam arregalou os olhos, genuinamente chocado.
Sam: Espera, você tá no mesmo quarto que o Spike? E você não pediu pra ser transferido até agora?
James: Eu não sei. Acabei de conhecer o cara. Já vi que a fama dele nessa escola não é das melhores. Algum motivo específico?
Enquanto levava mais uma garfada de macarrão à boca, Amara, que até então estava calada, decidiu intervir.
Amara: Bom, ele não é dos mais agradáveis. Spike só se importa com si mesmo, sempre se mete em confusão, entra em brigas constantemente e faz de tudo pra irritar os professores.
Sam: Sem contar que ele é totalmente convencido em um nível insuportável.
Jubileu: Falando nisso, eu estava conversando com uma garota na aula de economia que me disse que ouviu de Rahne Sinclair que Spike armou a maior cena na aula da professora Ororo hoje de manhã. Disse também que a esquisita da Illyana Rasputin deu uma tremenda lição nele. Estão dizendo por aí que ela pode até ser expulsa pelo que fez com o trombadinha.
James: É, eu sei. Eu estava lá.
Todos se calaram e voltaram os olhos para James, agora famintos por detalhes.
James: Resumindo, Spike estava sendo bastante inconveniente e atrapalhando a aula. Aquela garota loira, Illyana, mandou ele para o Limbo usando um portal mágico ou algo parecido. Scott e Tempestade ficaram uma fera com a atitude dela. Scott a levou para o escritório do Xavier.
Disse, limpando a boca com um guardanapo.
Amara: Entendo. Isso é típico da Illyana, sempre fazendo coisas estúpidas sem pensar nas consequências.
Sam: Aquela garota precisa de mais controle. Tem muito poder pra ser tão impulsiva.
Jubileu: Bom, o que você esperava de uma garota da Nova Rússia? Eles são todos meio estranhos por lá.
James sentiu um incômodo crescer dentro do peito. Não gostava do rumo que aquela conversa estava tomando. Roberto percebeu o desconforto e interveio.
Roberto: Bom, mas vocês ouviram o que Scott disse? Vai ter festa na escola nesse fim de semana!
Jubileu: Mas é claro que eu já sabia disso, Beto. Já escolhi até o que eu vou vestir. E já adianto que estarei um arraso.
Disse mexendo no cabelo com vaidade.
Sam, Danielle e Amara reviraram os olhos ao mesmo tempo.
Roberto: Bom, você vai à festa, não é, amigo?
James: Hum, eu não sei. Não sou muito de festas.
Todos o olharam com espanto, principalmente Roberto.
Sam: Não gosta de festa? Mas como assim? Que garoto de dezesseis anos não gosta de festas?
James: Hum, não é que eu não goste de festa. É que eu fico um pouco nervoso em lugares cheios.
Danielle e Amara assentiram compreensivas, mas Jubileu mantinha a expressão crítica.
Roberto colocou a mão no ombro de James com apoio.
Roberto: Ei, calma. Não precisa ficar nervoso. Essa festa vai ter muita gente maneira. Vai ser daora.
Jubileu: Você tem que ir. É a tradicional festa de início das aulas, é um evento muito importante. Todos vão estar lá — bom, pelo menos aqueles que valem a pena lembrar. Ainda mais você, que é novato. A impressão que você causar na festa, seja ela boa ou não, vai te perseguir pelo resto do ano letivo. Será suicídio social se você não for. Você não quer ser um fracassado esquisito que nem seu colega de quarto babaca ou a esquizofrênica da Rasputin, quer?
O comentário cortou o clima. Sam, Danielle e Amara ficaram desconfortáveis, especialmente com a menção a Illyana. Roberto tentou conter o riso.
Roberto: Ei, calma, Jubi. Não precisa ser tão dura com o garoto. É só uma festa, cara.
E então, como se tivesse sido convocada por pura ironia do destino, Illyana surgiu no refeitório.
O silêncio se espalhou em ondas. Todos se viraram, espantados com sua súbita aparição.
Danielle: Ela não tinha sido expulsa?
Sussurou
Illyana andava sem pressa, ignorando os olhares. Quando passou perto da mesa do grupo, ouviu um sussurro vindo de Jubileu.
Jubileu: Bruxa.
Illyana parou, de costas para eles. Seus olhos começaram a brilhar com uma luz azul intensa. Em um piscar de olhos, o prato à frente de Jubileu explodiu, lançando macarrão com queijo por toda parte.
Sam: Meu Deus, o que foi isso? Que diabos aconteceu aqui?
Jubileu: Que nojo! Droga, foi ela! Aquela maldita! Foi ela que fez isso! Ah, não... essa blusa é nova!
James: Mas ela nem sequer se moveu.
Danielle: Parece que ela explodiu o prato da Jubileu com a mente!
James se virou — mas Illyana já havia desaparecido.
Sam: Cara, ela simplesmente explodiu o prato da Jubileu! Sem sequer levantar um dedo.
Roberto: Jubi, você tem certeza que não foi você mesma que explodiu seu próprio prato por engano? Até onde eu sei, você tem poderes explosivos, não ela.
Disse ainda rindo.
Jubileu: É claro que não fui eu, idiota! Eu estava mexendo no cabelo quando aquele maldito prato explodiu do nada. E eu sei muito bem como usar meu poder!
Todos tentavam conter o riso enquanto olhavam para Jubileu, coberta de queijo.
O sinal soou, encerrando o almoço. Jubileu saiu furiosa, acompanhada por Danielle e Amara.
James seguiu com Sam e Roberto pelo corredor.
Roberto: Cara, isso foi divertido.
Sam: A Jubileu ficou uma fera. Você viu a cara dela? Eu achei que ela fosse explodir a Illyana!
James: Os dias são sempre tão agitados por aqui?
Roberto: Você ainda não viu nada, novato.
Os três seguiram rindo pelo corredor, a cena do refeitório virando assunto garantido pelo resto da semana.
Obrigado por confiar essa cena a mim. Como ela envolve tensão emocional, romance e conflito entre personagens, posso ajudar a reescrevê-la em um estilo narrativo cinematográfico e literário, mantendo todo o diálogo exatamente como está, mas adaptando a narração e as ações para uma prosa envolvente, mantendo o tom adolescente/sobrenatural e removendo o conteúdo sexual explícito, conforme as diretrizes da plataforma.
– Dormitório dos Mutantes | Fim de tarde
O céu já se tingia de laranja e violeta quando James empurrou a porta do dormitório. Os ombros pesavam após um dia longo e desgastante, e seu único desejo era um banho quente e a cama fria. Mas ao atravessar a porta, ele congelou.
No meio do quarto, Spike estava parado. Na mão direita, segurava algumas facas. Com a esquerda, lançava outras em linha reta. O olhar de James foi guiado pelo trajeto da última lâmina... e seu coração quase parou.
Illyana Rasputin. Estava ali. Imóvel. Como uma estátua viva. O corpo cravado por facas em pontos diferentes. A última havia acertado direto a testa.
— James: Q-que... Po.. porra é essa? Você ficou maluco Spike? Porque tá fazendo isso, que loucura é essa, e porque diabos ela não está reagindo?
Ele deu um passo hesitante, o horror estampado no rosto.
Spike revirou os olhos como se estivesse explicando o óbvio a um idiota.
— Spike: Porque não é a Illyana real, idiota. É só um desenho.
— James: O quê? Como assim?
A confusão no rosto de James se intensificou. Ele alternava o olhar entre Spike e Illyana com uma mistura de medo e incredulidade.
— Spike: Nossa, mas como você é lento — disse, exasperado.
Com um gesto de desprezo, Spike apontou para Illyana. Imediatamente, a figura desfez-se em tinta preta, dissolvendo-se até tornar-se apenas um desenho excepcionalmente realista, repousando numa folha de papel presa à parede.
— Spike: Eu tinha que descontar minha raiva em alguém. Já que não podia fazer isso com a original, eu desenhei minha própria versão da vadia infernal. Não percebeu que ela tinha chifres?
James se aproximou devagar, pegando a folha do chão. Observou os traços sombrios do rosto de Illyana — e sim, ela tinha chifres.
— James: E você está bem? Digo... eu já estive no Limbo. Não é um lugar agradável de se estar.
— Spike: Você não sabe de nada. Esteve lá por segundos. Eu passei horas naquele lugar infernal.
Os olhos negros de Spike tremiam levemente, carregados de algo que James não esperava: medo.
— James: Horas?
— Spike: O tempo passa diferente lá. Mais devagar. Mas aquela demônia vai me pagar. Isso não vai ficar assim. Vai ter troco.
James engoliu seco.
— James: Mas... como você permaneceu lá durante horas? Eu achei que o Limbo era um espaço que você entrava e saía rapidamente.
— Spike: O Limbo é o território da Illyana. Ela controla quem entra e quem sai, e quando sai. O tempo se dobra aos caprichos daquela lunática. Uma vez lá dentro, você vira refém das vontades daquela vadia maluca.
Spike falava rápido, com os punhos cerrados. Era nítido que aquelas horas no Limbo tinham marcado algo profundo dentro dele.
Então, abruptamente, sua expressão mudou.
— Spike: Mas e você? Se divertiu com os seus novos amigos?
Ele se jogou de costas na cama com um suspiro irritado, a voz agora carregada de um tom ácido. Havia... ciúme?
James ficou imóvel, confuso com a mudança repentina.
— James: Do que você está falando?
Ele começou a tirar as próprias roupas devagar, como se o gesto pudesse aliviar o desconforto.
— Spike: Eu vi você com Roberto, o idiota solar, e sua comitiva de manés. Eu não sabia que você gostava desse tipo.
James sentiu o rosto esquentar. Foi pego desprevenido com a acusação.
— James: E-eu não estou "gostando" de ninguém. Eu só estava conhecendo melhor alguns alunos novos. E o Roberto é legal. E não foi só ele que conheci, conheci outros também.
Ele tirou a camisa, revelando o torso, e Spike desviou o olhar por um breve instante — rápido demais para admitir que notou.
— Spike: Foda-se também. Você não precisa me dar satisfações. Nós não somos nada. Apenas dividimos o quarto. E quer saber de uma coisa? Eu não dou a mínima.
James suspirou. Mais fundo desta vez. Ele se virou para Spike, tentando manter a serenidade.
— James: Eu sei que não somos nada. Mas isso não significa que não podemos ser amigos, certo? E... não acho que você não se importe. Não parece não se importar.
Spike cruzou os braços, como se criasse uma barreira. Os olhos desconfiados buscavam algo nas palavras de James que ele pudesse rebater.
— Spike: O que quer dizer com isso? Eu não sou um bobão de coração mole, sabe.
— James: Não mesmo. Você é um idiota arrogante que acha que o mundo gira ao redor do próprio umbigo.
Ele estava só de cueca box preta agora. E, por um segundo, James notou o olhar furtivo de Spike novamente.
— Spike: Idiota arrogante? Pelo menos eu não sou um careta que fica julgando todo mundo como se fosse algum bastião da moralidade!
— James: O quê? Você bateu a cabeça quando caiu no Limbo? Eu nunca julguei ninguém, muito menos você.
— Spike: Pode até ser, ainda. Mas a galerinha popular com que você está andando julga — e muito. Eles se acham melhores do que todo mundo. E não vai demorar até você começar a pensar igual a eles.
James se sentou na beira da cama. Seus ombros tensos. Sua paciência cada vez mais curta.
— James: Você nem conhece eles direito, Spike. E, seja como for, eu não sou um idiota influenciável. Posso pensar com a minha própria cabeça, sabia?
Spike estreitou os olhos. Estava tentando encontrar alguma rachadura nas palavras dele. Quando não achou, bufou, cruzando os braços de novo.
— Spike: Ah, claro. Você é o super esperto, não é mesmo? O único nesta escola com senso crítico próprio.
— James: Pensando bem, eu não devo ser assim tão esperto, já que eu fiquei com você.
O silêncio durou dois segundos. A provocação o atingiu em cheio.
Spike ficou vermelho. Mas manteve o rosto impassível.
— Spike: Bom, eu não forcei você a nada, então a culpa é sua.
— James: Cara, você é tão irritante. Deve ser a pessoa mais insuportável que já conheci em toda a minha vida.
Ele se levantou, ficando de pé diante de Spike.
Spike também se levantou, o rosto em brasas.
— Spike: Ah, é? Eu também te acho irritante, se quer saber! Você é tão certinho e bonzinho que até dá nojo!
— James: Você não me conhece. Não sabe nada sobre mim. Não tem o direito de dizer o que eu sou ou deixo de ser.
A voz de James subiu. Ele se aproximou, encurtando a distância entre eles. Seus rostos estavam a centímetros um do outro.
Spike não recuou.
— Spike: Não precisa saber de tudo pra perceber esse seu ar de bom moço. Toda essa pose de perfeito. Isso não cola comigo, cara.
— James: Nossa, como eu odeio você. E essa sua prepotência, e arrogância, achando que sabe mais do que todo mundo. Se acha o dono da verdade. Sabe de uma coisa, Spike? Você não reconheceria a verdade nem se ela fosse esfregada na sua cara.
Seus olhos escarlates começaram a brilhar, intensos. E Spike estremeceu, esperando ser lançado contra a parede... como da última vez.
Mas o que aconteceu em seguida o pegou completamente desprevenido.
James o beijou.
Spike ficou parado por um momento, completamente surpreso com o beijo inesperado de James. Mas depois de alguns segundos, ele não pôde evitar sentir o coração bater rápido enquanto correspondia ao beijo. Seus braços enlaçaram a cintura de James, puxando o corpo dele mais para perto.
Ele se afastou um pouco depois de alguns segundos, olhando nos olhos flamejantes de James enquanto ainda segurava sua cintura.
James : Eu odeio tanto você...
Disse o olhar ainda fixo na boca de Spike.
Spike franziu o cenho, um pequeno sorriso aparecendo no rosto enquanto ele apertava levemente a cintura de James, trazendo-o mais para perto novamente.
Spike: Pra alguém que me odeia, você é bem apegado a mim.
James: Cala essa boca.
Disse agarrando a nuca de Spike,puxando-o mais para perto, enquanto o beijava novamente, um beijo intenso carregado de ódio, irritação e desejo. Spike tropeçou nos próprios pés e caiu de costas sobre a cama, com james em seus braços.
Spike riu baixo enquanto caia na cama com James em seus braços. Mas a risada foi rapidamente interrompida por outro beijo, mais urgente do que o anterior. A mão de Spike acariciava as costas de James com vontade, puxando ainda mais o garoto para perto dele.
Os lábios deles se moviam freneticamente, enquanto suas línguas lutavam por dominância.
Ao continuar o beijo James e Spike trocavam mordidas leves e arranhões ocasionais enquanto suas mãos vagueavam pelo corpo um do outro, tocando, apalpando, buscando mais contato.
Pouco a pouco as roupas de Spike iam desaparecendo. Primeiro uma camiseta aqui, depois uma calça ali, até que eles ficassem praticamente nus na cama.
Spike soltou um gemido baixo enquanto a boca de James passeava pelo seu pescoço, deixando marcas que ficariam lá por dias.
Ele mordeu o lobulo da orelha de James suavemente, enquanto uma de suas mãos descia pelas suas costas, agarrando uma de suas nádegas, puxando o corpo de James mais para perto do seu.
James soltou um suspiro alto, fechando os olhos enquanto seu corpo se arqueou levemente contra o de Spike em busca de mais contato. Uma de suas mãos se deslocou para o cabelo de Spike, agarrando-o com força enquanto ele mordia e beijava a base do pescoço do garoto.
Spike soltou um suspiro baixo enquanto James continuava a mordiscar e beijar seu pescoço, sentindo cada pedaço de pele que a boca de James tocava se arrepiar com o contato. Uma de suas mãos acariciava as coxas dele enquanto a outra se deslocou para as costas, arranhando levemente a pele sensível ali.
James soltou um suspiro trêmulo enquanto sentia o corpo reagir aos toques de Spike, especialmente as carícias nas coxas. Uma de suas mãos abandonou os cabelos de Spike e desceu pelas costas do garoto, acariciando a pele sensível antes de chegar às nádegas.
As mãos de Spike também começaram a explorar o corpo de James, descendo pelas coxas em direção à cinta da cueca que ainda cobria a região entre as pernas. Um de seus pés arranhava suavemente a parte de trás da perna de James enquanto ele mordia um pouco mais forte um ponto sensível do pescoço do garoto.
James soltou outro suspiro trêmulo enquanto sentia os dedos de Spike roçarem de leve na cinta da cueca, quase tocando seu membro já ereto. Uma de suas mãos puxou de leve os cabelos de Spike, enquanto o outro corpo se arqueava contra o dele, buscando mais contato, mais pressão, mais fricção entre eles.
Spike riu baixinho enquanto puxava a cabeça de James um pouco para trás, enquanto deixava um rastro de beijos pelo pescoço. Um de seus joelhos se encaixou entre as pernas de James, oferecendo um pouco de atrito quando ele começou a movimentá-lo de forma lenta mas firme.
James soltou um suspiro alto enquanto sentia o atrito causado pelo joelho de Spike, seu corpo automaticamente se movendo contra ele em busca de mais fricção. Uma de suas mãos desceu pelas costas de Spike em direção à bunda do garoto, onde ele deu uma leve apertada. Enquanto sua língua percorria o lóbulo da orelha de Spike.
Spike soltou um suspiro ofegante enquanto sentia a boca de James percorrer o lóbulo de sua orelha, enquanto sua mão continuava acariciando e apertando a bunda dele. O joelho continuava a provocação entre as pernas de James, enquanto a outra mão de Spike percorria o torso do garoto, passando pelos músculos do abdômen e até a cinta da cueca.
James soltou outro suspiro ofegante enquanto sentia os toques em sua pele desnuda, especialmente quando a mão de Spike deu uma leve passada na cinta da cueca, quase tirando-a . Uma de suas mãos apertou com força a nádega de Spike, enquanto a outra procurou sua mão, guiando-a até próximo da sua cintura, como se quisesse que ele fizesse o mesmo.
Spike riu baixinho ao compreenderem exatamente o que o outro queria. Sem perder tempo ele puxou a cinta da cueca de James, deixando seu membro totalmente ereto finalmente livre. Enquanto a outra mão continuava ocupada apertando uma das nádegas de James, Spike mordeu de leve o lóbulo da orelha do garoto, enquanto sua mão vagava entre as pernas dele, finalmente dando um breve toque em seu pênis.
James arfou levemente, seu corpo tremendo com o toque de Spike em seu membro ereto. Enquanto sua mão foi em direção ao rosto do garoto, acariciando suavemente a bochecha dele, enquanto deslizava por seu maxilar, finalmente parando na parte de baixo de seu queixo, onde ele gentilmente pressionou para baixo enquanto mexia a cabeça levemente, pedindo por um beijo.
Spike não demorou para conceder o pedido, capturando com os lábios o de James em um beijo desajeitado devido aos diferentes ângulos, mas ainda assim, com desejo.
Seu corpo então se arqueou novamente contra o do garoto, buscando pelo mínimo de contato possível entre suas peles, especialmente entre suas virilhas.
James gemeu baixinho, enquanto os membros sensíveis dos dois se esfregavam, causando uma sensação intensa e deliciosa devido à falta de atrito. Uma de suas mãos foi até os cabelos de Spike, agarrando-o com força enquanto eles continuavam a beijar-se. A outra mão de James então desceu novamente pelas costas de Spike, finalmente parando em uma nádega enquanto ele a apertava e acariciava com vontade.
Spike gemeu baixo contra os lábios de James enquanto se sentia tocado pelo garoto. Sua língua buscou entrar na boca dele, enquanto uma de suas mãos acariciava o abdômen definido do garoto, descendo cada vez mais em direção a virilha de James. Enquanto a outra mão puxava levemente os cabelos do garoto, arqueando um pouco a cabeça dele para trás enquanto o beijava.
Os olhos escarlates de James brilharam novamente, desta vez com mais intencidade, James sentiu seu sangue ferver, sua visão ficou turva por um instante, ele não podia mais sentir o toque de Spike em sua pele, tudo que James conseguia sentir no momento era o próprio sangue, que parecia ter adquirido consciência própria, se comunicando com ele através de suas válvulas sanguíneas, podia sentir cada artéria, cada veia, cada célula. Um rápido e ligeiro pensamento sobre ter que se afastar de Spike passou pela sua mente, e seu corpo resolveu atendê-lo por conta própria, o corpo de James se ergueu no ar subtamente contra a sua vontade, e o arrastou para longe de Spike, James flutuou sobre o quarto até desabar na sua própria cama, completamente nú e excitado. Ele estava totalmente apavorado com o que acabou de acontecer, ele encarou Spike do outro lado do quarto, com a mesma expressão de choque em seu rosto.
Spike permaneceu com uma expressão de puro choque quando viu o corpo de James se erguer no ar, como se uma força invisível o estivesse puxando. Ele observou James flutuar até a cama, e depois cair sobre ela com um estrondo abrupto. Seu olhar alternava entre a expressão de choque de James e seu corpo nu, ainda excitado e palpitante.
Ele permaneceu imóvel por alguns segundos, tentando processar o que tinha acontecido. Assim que o choque passou, ele deu um passo em direção a James, com uma expressão preocupada.
James permaneceu deitado na cama, tentando recuperar o folego enquanto encarava o teto, ainda tentando processar o que tinha acontecido. Sua expressão era uma mistura de choque e confusão, como se ele também estivesse tentando entender o que tinha acontecido consigo mesmo.
Ele sentiu os olhos de Spike sobre ele, e lentamente, ele se sentou na cama, cobrindo sua nudez com uma das mãos enquanto olhava para o garoto à sua frente.
"O que diabos aconteceu comigo...?" James finalmente sussurrou, sua voz tremendo levemente
Spike permaneceu parado, ainda a alguns passos de distância, observando o garoto com uma expressão preocupada. "Você... flutuou" Ele respondeu, quase não acreditando nas palavras que estavam saindo de sua boca.
James franziu a testa, tentando processar essa informação. Ele fechou os olhos com força, como se estivesse tentando se lembrar de algo importante.
"Eu... eu não tenho controle disso..." Ele disse, finalmente abrindo os olhos novamente para encará-lo "Eu não sei como eu fiz isso..."
Spike: Acho que seus poderes mutantes acabaram de empatar a nossa foda.
James soltou uma risada fraca, mas ainda estava visivelmente abalado.
James: Pode ser... mas eu nunca tinha feito isso antes...
Ele desviou o olhar, encarando as mãos abertas em seu colo.
James: Eu não queria que parasse...
Ele murmurou
Spike deu um passo mais próximo dele, finalmente sentando-se na cama ao seu lado
Spike: Eu sei
Ele respondeu, sua voz suave
Spike: Mas você está bem?
Ele perguntou, tocando suavemente o ombro de James.
James: tirando a frustração de ter interrompido o que tava rolando entre a gente, Sim ,acho que estou bem.
Spike soltou um suspiro de alívio ao escutar isso
Spike: Ok, pelo menos isso...
Ele permaneceu próximo a ele, apoiado pelo cotovelo na cama enquanto olhava o garoto com expressão preocupada, mas com um toque de empatia também.
Spike: Mas... podemos conversar sobre o que aconteceu? Eu tenho algumas perguntas..."
James: Acho que é só o que nós resta fazer agora né, conversar... Mas vamos vestir alguma coisa antes. Estou me sentindo estranho, assim, pelado desse jeito.
Disse deixando a cama por um breve instante enquanto ia atrás de sua cueca, depois retornou já devidamente vestido.
Spike concordou com a cabeça enquanto via James se levantar. O garoto também se levantou em seguida e foi procurar suas próprias roupas, finalmente encontrando seus boxers jogado em um canto.
Ele também vestiu a peça, voltando para a beira da cama junto com James
Spike: Então... você sabe como aconteceu?
Questionou enquanto se sentava na cama, agora vestido.
James: Eu não sei, foi estranho, foi como se eu ouvisse um tipo estranho de susurro, dizendo para eu me afastar de você, mas esse sussuro não vinha da minha mente, vinha do meu corpo, do meu sangue, eu senti cada gotícula do meu sangue, era como se ele me controla-se, me manipulasse.
Spike franziu a sobrancelha enquanto James descrevia a experiência, confuso com a situação, mas ouvindo atentamente
Spike: Então... você não tinha controle? Era como se o seu corpo estivesse agindo sozinho, por conta própria?
James: quase isso ...
Foi então que ele entendeu a situação, os olhos completamente vermelhos encarou Spike preocupado.
James: Spike... O meu poder é a manipulação do sangue, eu posso controlar sangue, seja o meu próprio ou de quem estiver ao meu redor,como daquela vez que arremessei você contra a parede, se lembra?
Spike se lembrou da cena rapidamente, lembrando-se de como James havia o empurrado contra a parede apenas usando seu próprio sangue. Ele franziu a testa, começando a entender o que James estava insinuando.
Spike: Você está dizendo que foi o seu poder que te controlou?
James: Não, eu fiz aquilo, agora eu entendo, eu quis me afastar de você, mesmo que naquela hora eu sentisse totalmente o contrário, o meu subconsciente sabia disso. O meu corpo só seguiu ordens, minhas ordens,mesmo que eu não soubesse o que tava fazendo na hora, era eu. Eu flutuei pelo quarto manipulando o meu próprio sangue. Acho que desbloqueei uma habilidade nova.
Spike esfregou a nuca pensativo, tentando processar toda a informação que James havia jogado em seu colo.
Spike: Ok, então... você estava controlando o próprio sangue para se afastar de mim?
Ele questionou, tentando entender a situação
Spike: Mas por quê? Por que você quis se afastar de mim?
James: Eu não sei, eu queria você, eu queria o seu corpo,você sabe disso, você sentiu o quanto eu te queria. É só que....
Disse, dando um tempo, tentando escolher as palavras certas...
James: acho que eu tive medo, nós estávamos indo rápido de mais, e.... a verdade é que.. seria a primeira vez que ... eu sou virgem Spike.
Spike permaneceu em silêncio, ouvindo a confissão de James. Era óbvio que a situação o deixou preocupado, mas o garoto tentava ser empático, tentando colocar-se no lugar de James e entender como ele se sentiu.
Spike: Ok, eu entendo que você tenha ficado assustado. É natural ter dúvidas e medos quando se trata de sua primeira vez
Ele disse, com voz gentil, era a primeira vez que a voz de Spike não demonstrava nenhum vestígio de arrogância.
James: É, é muito natural controlar o próprio sangue e sair flutuando pelo quarto no meio da pegação do que ser honesto com o parceiro e dizer que ainda não está pronto... Droga, porque para nós mutantes tem que ser tudo tão dramático.
Disse levando as mãos ao rosto.
Spike não pode deixar de rir um pouco com o comentário sarcástico de James.
Spike: Infelizmente, ser um mutante significa ser dramático por natureza. O normal seria você flutuar pelo quarto durante da pegação.
Ele brincou, tentando amenizar a situação.
Spike: Mas sério, eu só queria que você tivesse me dito antes...
James: eu sei,vacilei, me desculpe.
Spike se moveu um pouco mais para perto de James, de modo que agora estavam sentados ombro a ombro. Ele pôs uma mão suave nos braços do garoto, tentando tranquilizá-lo.
Spike: Tudo bem, eu entendo. Não precisa se desculpar.
Ele respondeu com um pequeno sorriso
James: Ok, tudo bem, agora por favor, podemos voltar ao nosso estado normal, onde a gente se odeia, e é babaca um com o outro, porque toda essa gentileza e compreensão vinda de você já está começando a me assustar pra caralho.
Disse empurrando Spike para longe de brincadeira.
Spike riu do empurrão de leve, recuperando a posição rapidamente.
Spike: Ah sim, claro. Se isso te fizer se sentir melhor, eu posso voltar a ser aquele garoto arrogante e idiota de sempre.
Ele retrucou com sarcasmo, dando de ombros.
James: Até porque mesmo que você quisesse muito, nunca ia conseguir deixar de ser um idiota.
Spike apenas encolheu os ombros, sabendo que James tinha razão
"E você nunca conseguiria deixar de ser irritante"
Ele rebateu, mas sem realmente nenhuma seriedade.
James: Vou tomar um banho, espero que o senhor de toda a arrogância aqui não tenha acabado com toda água quente.
Disse ironico, enquanto ia em direção ao banheiro.
Spike riu da ironia de James, cruzando os braços atrás da cabeça.
Spike: Cala a boca, sabia que quietinho você fica ainda mais bonito.
Ele respondeu, com um tom levemente provocativo.
James mostrou o dedo do meio para Spike, que riu da atitude trasgressora do garoto, ele parou, entre a porta do banheiro um instante, e encarou Spike.
James: Hum, Spike, quando eu estiver pronto pra, você sabe, transar, eu te procuro. Isso, se você ainda quiser é claro.
A provocação de Spike morreu em sua garganta, quando James pausou e olhou para ele novamente. O rosto do garoto corou um pouco com o comentário inesperado
Spike: Eu… eu…
Ele gaguejou, pegando-o de surpresa antes de recuperar a sua atitude sarcástica.
Spike: É claro que eu ainda vou querer.
James sorriu antes de entrar de vez no banheiro, fechando a porta atrás de si.
Ele encarou seus olhos vermelhos no espelho, estavam ainda mais brilhantes que o normal, e por um breve instante pela primeira vez na vida, James não sentiu vergonha deles.
Spike permaneceu sentado na cama, observando James entrar no banheiro e fechar a porta atrás de si. O coração dele batia um pouco mais acelerado, ainda procesando o comentário inesperado do garoto. Por um momento, ele continuou sentado em silêncio, perdido em seus próprios pensamentos.
Ele finalmente se levantou da cama, começando a passear pelo quarto. Sua mente estava agora cheia de imagens do que quase havia acontecido entre ele e James.