James havia deixado o despertador programado para tocar uma hora antes do habitual. Era o seu primeiro dia de aula na Academia e ele queria estar preparado para tudo. Levantou da cama em um salto e foi em direção ao banheiro. Spike ainda estava dormindo — sem roupas, completamente pelado, sem nada cobrindo sua pele. Estava ali, totalmente exposto, e não parecia se importar com isso.
James passou por ele tentando ignorar, mas não conseguiu desviar o olhar. Por um momento, se perdeu nas tatuagens espalhadas pelo corpo de Spike. Tinha quase certeza de que o garoto fazia aquilo de propósito... como se estivesse tentando provocar James. Mas ele não tinha tempo para se preocupar com isso agora — o dia estava apenas começando, e havia muito o que fazer. Ele entrou no banheiro, batendo a porta atrás de si.
Spike permaneceu imóvel enquanto James entrava. Sabia que estava sendo observado. Apesar de não estar exatamente confortável, optou por fingir que ainda dormia. As tatuagens realmente chamavam atenção, mas não podia negar que o modo como James o olhava fazia seu coração bater um pouco mais rápido.
Quando James saiu do banheiro, já estava completamente vestido. Nem percebeu que Spike havia acordado. Voltou ao quarto, pegou suas coisas e saiu em disparada pelo corredor. Enquanto caminhava pelos intermináveis corredores do Instituto Xavier, mantinha os olhos fixos no smartphone. Seguia atentamente o itinerário que Jean Grey havia enviado por e-mail.
De acordo com ele, agora deveria estar a caminho do refeitório. Era hora do café da manhã.
James se perdeu algumas vezes antes de finalmente encontrar o que achava ser o destino certo.
Entrou na sala, onde um pequeno grupo de pessoas estava reunido ao redor de uma grande e farta mesa de café da manhã. Ele nem prestou atenção nas pessoas — seus olhos estavam grudados na comida. Sentou-se despreocupado e começou a se servir. Só então notou o silêncio total da sala.
Ergueu os olhos e se deu conta de que todos ali estavam olhando diretamente para ele. Largou a torrada no prato, confuso, encarando-os de volta.
Logan:
— Porta errada, novato. A mesa das crianças fica no final do corredor.
Disse de forma carrancuda e grosseira, enquanto espetava uma salsicha com uma das lâminas que saíam entre seus dedos.
James o encarou, assustado e ao mesmo tempo impressionado.
Vampira:
— Logan, não seja grosseiro. Assim vai acabar assustando o novato.
Ela lançou um olhar gentil, mas divertido, para James.
Foi então que ele percebeu: aquela sala não era o refeitório. James estava sentado na mesa dos X-Men.
Logan não era conhecido por simpatia ou diplomacia. Falava o que pensava sem se importar com a forma. Especialmente com novatos.
Já Vampira sempre teve um toque mais gentil. Tentava suavizar a rudeza de Logan sempre que possível.
Enquanto Vampira tentava tranquilizá-lo, James encarou os rostos ao redor da mesa. Rostos conhecidos das manchetes e noticiários. Scott. Wolverine. Vampira. Jean Grey. E outros.
Tentou não se sentir intimidado. Mas o olhar de Wolverine ainda estava sobre ele — como se o desafiasse.
Scott:
— Deixa ele em paz, Logan. Ou vai tomar seu próximo café da manhã na casinha do cachorro.
Disse com um tom implicante. James deixou escapar um sorriso tímido.
Logan lançou um olhar irritado para Scott, mas permaneceu calado. Não era do tipo que desistia fácil, mas o olhar de Scott o silenciou.
Scott então se virou para James, com uma expressão mais amigável.
Scott:
— Desculpe por Logan. Ele tem os modos de um urso mal-humorado. Ignore ele.
James:
— Tudo bem. Hum... o erro foi meu. Acho que me confundi e entrei na sala errada. Esse não parece ser o refeitório... desculpem. Droga, esse lugar é tão grande. Acho que vou precisar de um GPS.
Disse, levantando-se da mesa meio constrangido.
Scott riu baixo e se levantou, fazendo um gesto com a mão.
Scott:
— Eu não diria que você precisa de um GPS aqui, mas sim de um guia. Essa academia é enorme, e é fácil se perder. Principalmente no seu primeiro dia.
Ele olhou em volta, para os outros X-Men na mesa.
Scott:
— Alguém se oferece como voluntário?
Depois de um momento, um garoto de cabelos castanho-claros, não muito mais velho que James, levantou a mão.
Bobby:
— Deixa comigo, chefe. Eu cuido dele.
Disse com a boca cheia, segurando uma torrada com pasta de amendoim e geleia.
Scott se virou para Bobby, aprovando.
Scott:
— Ótimo, obrigado. Se você conseguir levá-lo à sala de aula a tempo, provavelmente vai ganhar o prêmio de Ajudante de Primeira Classe do Dia.
Deu um tapa brincalhão no ombro de Bobby, antes de voltar a olhar para James.
Bobby se levantou da mesa, sorrindo animadamente.
Bobby:
— Vamos, garoto. O que está esperando? Não quero que o Scott me coloque pra fazer treinamento extra hoje à noite.
Piscou para Scott, colocando um braço no ombro de James e o guiando para fora.
James se levantou de imediato, seguindo Bobby, mas ao sentir o toque na pele, estremeceu e parou onde estava.
James:
— Caramba, você é frio.
Disse encarando Bobby, com os lábios levemente trêmulos.
Bobby levantou uma sobrancelha, surpreso por James ter notado.
Bobby:
— Sinto muito. É a minha mutação. Posso baixar muito a temperatura do meu corpo.
Tirou o braço do ombro de James e começou a andar novamente.
Bobby:
— Mas não se preocupe. Eu não mordo.
James:
— Não foi nada. Está tudo bem. Eu só fui pego de surpresa.
Disse sem graça, andando atrás de Bobby.
Bobby virou-se um pouco, lançando um olhar intrigado para James enquanto saíam da sala. Não conseguiu evitar se perguntar sobre aquele desconforto.
Franziu o cenho brevemente antes de voltar a olhar para frente.
Bobby:
— Então, James, como você está se sentindo em sua primeira manhã aqui na Academia? Apreciando o café da manhã, pelo menos?
James:
— Bem, eu acho. Um pouco perdido e também nervoso. De fato, o café da manhã daqui é incrível. Principalmente a torrada de amendoim com geleia. Eu não tive muito tempo pra comer, mas aposto que você concorda comigo nessa.
Disse divertido, apontando para os lábios de Bobby, ainda sujos de geleia.
Bobby riu baixo e se limpou com as costas da mão.
Bobby:
— É, esse é o meu favorito. Estou sempre à procura daquelas torradas.
Lançou outro olhar para James, examinando-o de cima a baixo.
Bobby:
— Então, me fala: qual é sua mutação?
James:
— Hum... hemocinese. Eu posso controlar e manipular sangue — seja o meu ou o das pessoas ao meu redor. Porém, ainda não sou muito bom nisso.
Disse um pouco retraído, não acostumado a falar sobre seus poderes.
Bobby assobiou baixinho, impressionado.
Bobby:
— Hemocinese? Sério? Isso é interessante. É uma das habilidades mais incomuns que já vi.
Franziu a testa, curioso.
Bobby:
— Você precisa de sangue pra usar seus poderes ou pode fazer sem?
James:
— Bom... Eu ainda não conheço toda a extensão dos meus poderes e não os uso com muita frequência. Mas, em teoria, posso abrir feridas usando a mente, e manipular o sangue que sair desses cortes como quiser. Também posso controlar o sangue dentro do corpo da pessoa — sem necessariamente precisar que ele saia.
Bobby se animou ainda mais, intrigado.
Bobby:
— Uau! Isso é muito daora! Pode ser um pouco assustador, mas daora. Eu posso perguntar como você descobriu que tinha essa mutação? Foi quando era criança ou mais tarde?
James parou de andar. Travou. Uma aura sombria tomou conta dele. Escondeu-se atrás da franja, como sempre fazia quando ficava muito desconfortável.
James:
— Se não se importar, Bobby... eu não gostaria de falar sobre isso.
Disse secamente, encarando os próprios pés.
Bobby se arrependeu imediatamente. Sentiu a dor na voz de James. Ficou em silêncio por um momento, depois assentiu levemente.
Bobby:
— Oh, ok, cara. É... tudo bem então. Desculpe-me. Eu não deveria ter perguntado.
Esfregou a parte de trás do pescoço, culpado.
James:
— Está tudo bem. Você não tinha como saber. Esse é, bom... um assunto muito delicado pra mim.
Tentou soar simpático.
James:
— Hum, aqui diz que minha primeira aula é Ciências Climáticas, com a Professora Ororo Munroe. Piso dois, sala 7.
Disse, concentrado no smartphone. Depois ergueu o olhar para Bobby, com seus olhos escarlates, esperando instruções.
Bobby assentiu, tentando aliviar o clima.
Bobby:
— Certo. Ciências Climáticas. A Professora Ororo é incrível. Você vai se sair bem. Vamos pegar seu material no quarto, depois te levo até a classe. Vamos.
Fez sinal para que James o seguisse.
James já estava na frente da sala 7, com seu material em mãos. Observou os colegas entrando e decidiu que era hora de fazer o mesmo.
James:
— Acho que eu fico por aqui.
Disse, encarando Bobby.
Bobby assentiu, um pouco animado por ver James mais à vontade. Haviam tocado num ponto delicado antes, mas estava determinado a fazer James se sentir bem-vindo.
Bobby:
— Sim, você vai se dar bem. A aula de Ciências Climáticas é ótima. O material é realmente interessante. Eu te encontro aqui na saída da aula, tudo bem?
James assentiu.
James:
— Ham, Bobby... obrigado.
Disse em tom de gratidão antes de entrar na sala.
Bobby sorriu, aliviado.
Bobby:
— Sem problemas. É por isso que eu estou aqui. Vejo você depois, campeão.
Bobby se apoiou na parede, observando James entrar. Sentia que estavam começando bem.
Assim que James cruzou a porta da sala, todos os olhares se voltaram para ele. Era como se o tempo tivesse parado por um instante — o efeito clássico do "novato" entrando em cena. Já esperava por isso. Tentando parecer indiferente, ele caminhou até uma carteira no meio da fileira central e se sentou. Ainda assim, os sussurros continuaram. Olhares curiosos. Cochichos maldisfarçados. Ele odiava ser o centro das atenções.
Mas então tudo mudou.
A porta se abriu novamente, e a atmosfera da sala pareceu se transformar. Uma presença imponente cruzou o limiar: Ororo Munroe — conhecida por muitos como Tempestade. Ela caminhava com graça natural, como se o ar ao seu redor obedecesse sua vontade. Sua postura era firme, seu semblante sereno, e seus olhos varriam a sala com doçura e autoridade.
James, que mal tinha se acomodado, ergueu o olhar e sentiu o mundo desacelerar. Ficou paralisado, como se hipnotizado pela figura de Ororo. A luz parecia tocá-la de maneira especial, destacando sua beleza e imponência. Uma deusa entre mortais.
Enquanto caminhava até a frente da sala, Ororo sorriu para os alunos, seu olhar gentil pairando sobre cada rosto.
Quando seus olhos encontraram os de James, ela notou o encantamento em seu olhar. Um sorriso leve surgiu em seus lábios — uma risada sutil escapando, suave como a brisa que costumava invocar.
Ororo: Bom dia, jovens alunos. Espero que todos tenham tido uma boa noite de sono e tenham aproveitado seu primeiro dia aqui na Academia.
Ela pausou por um momento, varrendo a sala com outro olhar atencioso.
Ororo: Acho que temos um novo integrante entre nós, certo?
Seu olhar pousou diretamente em James.
Ele encolheu os ombros, constrangido. Todos os olhares estavam novamente sobre ele, e aquela sensação voltava — o desconforto de ser observado, julgado.
Ororo percebeu sua hesitação. Por trás daquele rosto novo, ela reconhecia o sentimento de inadequação. Ela já esteve ali, já fora a "nova". Inclinou sutilmente a cabeça, tentando transmitir conforto e empatia.
Ororo: Bem-vindo à Academia, querido. Meu nome é Ororo Munroe, mas você pode me chamar de Tempestade. E você é...?
James se remexeu na cadeira. A voz suave da professora trouxe algum alívio. Tomou fôlego.
James: Hum, meu nome é James. James Jones.
Franziu a testa, surpreso consigo mesmo por revelar seu nome completo. Era algo que evitava fazer.
Ororo captou sua reação. O leve franzir de testa dela demonstrava que notara aquele detalhe, mas decidiu não insistir.
Tempestade: Ok, James Jones, é um prazer conhecê-lo. Agora, vamos começar a aula. Hoje, vamos discutir as propriedades climáticas e seus efeitos no ambiente. Alguém tem alguma pergunta antes de começarmos?
Ela olhou pela sala com paciência. Um silêncio pairava, até que uma mão se levantou.
Era um garoto alto, cabelo verde em um moicano ousado, usando uma regata preta que deixava à mostra seus braços musculosos cobertos de tatuagens. O olhar era penetrante, quase desafiador. Arrogância cravada na postura.
Ororo: Sim, Spike? Você tem alguma pergunta?
Ela se virou na direção dele. Ele se levantou devagar, cruzando os braços, seus olhos negros fixos na professora.
James também virou-se para encará-lo — era a primeira vez que realmente o notava ali.
Spike: Sim, professora, não quero ser grosso, mas por que estamos aprendendo sobre as temperaturas climáticas? Quero dizer, ninguém aqui além da senhora pode controlar o tempo, certo?
O tom era carregado de presunção.
Mas Ororo se manteve serena. Não era a primeira vez que ouvia esse tipo de questionamento.
Ororo: É verdade que ninguém aqui além de mim tem a capacidade de controlar o clima, mas isso não significa que não seja importante aprender sobre isso. Saber como o clima funciona e suas propriedades ajuda a compreender o mundo ao nosso redor e também a entender melhor a si mesmos. Além disso, quem sabe no futuro, vocês também venham a ter habilidades relacionadas ao clima.
Rahne: Você está se referindo a mutação secundária senhorita Munroe?
A voz era tímida, mas havia curiosidade nela. Rahne Sinclair falava de seu lugar com respeito.
Ororo: Exatamente, Rahne. As mutações secundárias são habilidades que se manifestam junto com as habilidades principais e, às vezes, podem surpreender até mesmo os próprios mutantes. Então, nunca se sabe o que o futuro reserva para vocês.
No fundo da sala, um riso sarcástico cortou o ar. Spike, novamente.
Spike: Mas e se nenhum de nós conseguir nenhuma mutação secundária? Vamos perder nosso tempo estudando coisas inúteis?
James o encarava, incrédulo. Estava surpreso com a hostilidade gratuita. Rahne também não gostou — seus olhos brilharam de reprovação, e um rosnado suave escapou de seus lábios.
Ororo, por sua vez, mantinha a compostura.
Ororo: Spike, não importa se vocês vão adquirir ou não uma mutação secundária. O conhecimento é sempre benéfico, mesmo que não seja diretamente aplicável a nós mesmos. Além disso, quem é você para julgar o que é inútil ou não?
Spike abriu a boca para responder — mas não houve tempo.
De repente, um clarão o envolveu. Em um instante, ele desapareceu. Nada restou. Um buraco negro momentâneo. Um vórtice inexplicável.
Choque. Silêncio. Espanto.
James arregalou os olhos, sem compreender o que acabara de acontecer. Até Ororo parecia atônita.
Rahne: Para onde ele foi?
A preocupação em sua voz era palpável.
Illyana: Eu o mandei para o Limbo.
A resposta veio fria, indiferente. A garota loira no fundo da sala nem ergueu os olhos de seu caderno, onde continuava rabiscando.
Todos — inclusive James — voltaram-se para ela.
Illyana: Acho que passar um tempo lá embaixo vai ensiná-lo a respeitar as pessoas, e parar de falar tanta merda.
O tom era sombrio. Macabro. Quase casual.
Ororo a encarou, horrorizada.
A sala mergulhou num silêncio absoluto. A tensão era quase tangível. Ororo se aproximou, expressão rígida.
Ororo: Illyana, você sabe o perigo que existe no Limbo? Isso não foi uma brincadeira! Você não pode simplesmente enviar alguém para lá sem pensar nas consequências!
Illyana finalmente levantou o olhar, o rosto presunçoso.
Illyana: Ele não estará lá por muito tempo. Eu sei o que faço.
Voltou ao que fazia, como se nada tivesse ocorrido.
Mas Ororo não deixou por menos. Aproximou-se ainda mais, a voz firme.
Ororo: Illyana, você não pode jogar fora pessoas como se fossem lixo. Isso não é certo e não é aceitável nesta escola.
Illyana: Eu fiz um favor para a senhora, ele estava atrapalhando a sua aula.
A frieza na voz dela era assustadora.
Ororo apertou os punhos, visivelmente tentando conter a raiva.
Ororo: Illyana, isso ainda não é justificativa para agir como você agiu. Você precisa aprender a lidar com as situações de uma forma mais apropriada e não simplesmente mandando as pessoas para outro plano de existência.
Illyana abriu a boca para responder, mas uma nova presença se fez sentir.
Scott: Alguém pode me explicar porque Spike foi parar na piscina? Ororo, ele está na sua turma, não está? Era para ele estar nessa aula. Eu mesmo perguntaria para ele, porém o garoto está em estado de choque. Tempestade, o que diabos aconteceu aqui?
Scott Summers estava parado na porta, o semblante sério.
Um novo silêncio caiu sobre a sala.
Ororo respirou fundo e endireitou a postura.
Ororo: Scott, pode entrar. Precisamos ter uma conversa.
Ele entrou, fechando a porta atrás de si. A tensão era quase insuportável.
Scott: Ororo, o que diabos aconteceu? Por que Spike está na piscina, e naquela situação? O garoto está em choque, quase catatônico. Jean está com ele agora, sondando sua mente, tentando fazer com que ele volte ao normal.
James sentiu um frio no estômago. O medo pelo estado de Spike era real.
Ororo: Scott, eu vou te contar o que aconteceu, mas preciso que você tente manter a calma.
Scott sentou-se, cruzando os braços.
Scott: Tudo bem, estou calmo. Agora, diga-me o que diabos aconteceu com Spike.
Ororo: Hoje durante minha aula, Spike estava sendo descortês com os colegas e questionando a importância da matéria. Tentei explicar a ele, mas ele insistiu em seu comportamento arrogante. Foi então que Illyana decidiu... tomar alguma... forma de... ação.
Ela lançou um olhar severo a Illyana.
Illyana: Eu mandei aquele idiota arrogante para o Limbo, mas já o trouxe de volta. Ele deve ter caído na piscina quando o portal se abriu. Pelo menos a água amorteceu a queda dele. Poderia ser bem pior.
O silêncio se impôs novamente.
Scott fechou os olhos, tenso.
Scott: Está me dizendo que enviou Spike para o Limbo?
Illyana: Bem, eu estava tentando ensiná-lo a não ser tão prepotente. Essa foi a solução mais rápida que eu encontrei.
Scott respirava fundo, lutando para manter o controle.
Scott: Illyana... o que você fez foi completamente inadmissível. Você não tem o direito de enviar alguém para o Limbo, ainda mais usar isso como uma forma de punição.
Illyana: Bem, foi a única coisa que veio à minha mente na hora. E pelo que pareceu, foi um método eficaz. O garoto está vivo e intacto.
Scott se aproximou, imponente.
Scott: Não, não foi "efetivo", Illyana... você poderia ter causado danos permanentes, não só físicos, mas mentais também.
Seu olhar era cortante.
Scott: Illyana, vou pedir que se levante e me acompanhe. Eu não queria envolver o professor Xavier nisso, mas diante dessa situação toda acho que não tenho outra alternativa.
Illyana se ergueu, cruzando os braços com desdém.
Illyana: O que você pretende fazer?
Scott: Eu vou levar você até o escritório do professor Xavier. Esta situação é séria e ele precisa saber sobre isso imediatamente. Agora eu lhe peço que me siga, por favor.
Illyana: Não será necessário, eu sei o caminho. Além do mais, tenho meu próprio modo de locomoção.
E desapareceu em meio a um portal mágico.
James: Ual, ela sabe como fazer uma saída triunfal.
Scott ficou parado, visivelmente irritado. Ororo se aproximou, pousando a mão em seu ombro.
Ororo: Scott, ela vai enfrentar as consequências. Tenho certeza.
Scott: Eu só espero que Xavier tome as providências necessárias. Esse tipo de comportamento é completamente inaceitável.
Ele passou uma mão pelo rosto.
Scott: Bom, desculpe pela intromissão, Tempestade. Pode continuar com sua aula. Acho que já está tudo resolvido por aqui.
E se retirou da sala.
Ororo suspirou, observando os alunos ainda perplexos. Reuniu forças e retomou seu lugar à frente da turma.
Ororo: Certo, desculpe a interrupção, mas precisamos retomar a aula. Hoje estaremos estudando sobre ventos poderosos e...
O sinal soou, interrompendo-a. O período havia terminado. Os alunos, ainda atordoados, começaram a guardar suas coisas e sair da sala.