domingo, 14 de setembro de 2025

Episódio 1X02


INTERIOR DO DORMITÓRIO – FIM DE TARDE

O céu do fim do dia projeta tons laranjas e roxos pela janela aberta. A brisa fresca faz as cortinas esvoaçarem levemente. James entra no dormitório. Ele fecha a porta atrás de si com um clique suave, mas determinado. Seus olhos vasculham o quarto. Lá está Spike, sentado à beira da cama, completamente vestido desta vez.

Calça jeans rasgada. Regata preta. Tatuagens vivas contornando os braços musculosos. Os olhos incrivelmente negros de Spike se cravam em James, afiados e desconfiados.

SPIKE
(zombeteiro, sem se levantar)
Ah, não acredito. Você continua aqui? Achei que tinha me livrado de você.

Spike se mantém a uma distância segura, lembrando bem da vez em que foi arremessado contra a parede. James encosta-se à porta, suspira fundo e encara Spike com firmeza. Seu olhar está mais resoluto.

JAMES
É, continuo aqui. Gostando ou não.

Ele observa por um instante as tatuagens nos braços de Spike — longas linhas escuras contornando a pele com agressividade e arte. Spike percebe o olhar prolongado. Um sorrisinho aparece em seu rosto. James desvia rapidamente o olhar, desconcertado.

Limpa a garganta. Finge que nada aconteceu.

JAMES
Então... parece que vamos dividir esse quarto juntos por um tempo.

Spike revira os olhos e se recosta na cama, com os braços apoiando atrás da cabeça. Um brilho provocador surge em seu olhar.

SPIKE
Sim, infelizmente somos obrigados a dividir essa cela pequena juntos. Não é divertido?

James hesita por um segundo. Depois toma coragem.

JAMES
Hum… Cara, eu… eu realmente sinto muito por ter usado meus poderes em você mais cedo. Sério. Você foi um babaca, mas nada justifica o que eu fiz.

Ele fala sem encarar Spike diretamente. O silêncio pesa por um segundo.

Spike parece genuinamente surpreso. Não esperava um pedido de desculpas. Ele observa James por alguns instantes, então responde num tom mais contido.

SPIKE
E eu sinto muito por invadir o seu espaço pessoal e tocar em você. Não deveria ter feito isso. Foi estúpido.

JAMES
Tudo bem. Acho melhor passarmos uma borracha nessa história, já que vamos ser obrigados a viver juntos nesse quarto.
O que acha de começarmos do zero?

James o encara, mais receptivo agora. Spike franze um pouco a testa com a proposta inesperada, mas dá de ombros.

SPIKE
Sim. Começar do zero parece bom, na verdade.

James olha ao redor. Uma cama bagunçada, a outra impecável. Ele joga sua mochila sobre a cama organizada — a sua, pelo visto. Spike observa em silêncio, com um olhar quase curioso.

Sentado novamente à beira da cama, Spike apoia o queixo na mão. Após um momento de silêncio, solta a pergunta.

SPIKE
Então, James… de onde você é? Você não parece ser daqui.

JAMES
Hum… Eu morava em um reformatório em Nevada antes de vir pra cá. Se é isso que você quer saber.

Spike ergue as sobrancelhas, pego de surpresa.

SPIKE
Um reformatório, é? E por que você foi pra lá?
Se não se importar em contar, é claro.

JAMES
(envergonhado)
Eu… eu roubei alguns DVDs.

Spike morde o lábio inferior, tentando conter o riso, mas não consegue evitar completamente. Solta uma risada abafada.

SPIKE
DVDs? Caramba, que crime terrível, hein?
O que será que deu na cabeça de Scott pra me colocar no mesmo quarto que um criminoso tão perigoso feito você?

(pausa cômica)
Mas com tanta coisa legal pra roubar, por que caralhos você roubava DVDs?

JAMES
(sincero)
É que eu gosto muito de filmes.

SPIKE
Você gosta de filmes? Essa é a sua resposta?

JAMES
(impaciente)
Sim, é a verdade. O que você quer que eu diga?

SPIKE
(ainda incrédulo)
Sei lá, porra. Que você fazia parte de um esquema cabuloso da máfia envolvendo pirataria, ou qualquer outra merda parecida.
Mas porra… eu não posso dividir o quarto com um simples ladrão de DVD. Tem noção do quanto isso é ridículo?

(zombeteiro)
Se descobrirem que eu ando com tipos como o seu, isso pode até manchar minha reputação nas ruas.

JAMES
(revirando os olhos)
Sim, porque ser parceiro de um ladrão de DVDs é realmente muito perigoso pra sua reputação de bad boy.
Você literalmente é ridículo.

(provocando)
Agora me diz você, gangster das ruas, como foi parar no reformatório?

Spike faz uma careta cômica, mas o sarcasmo não esconde a verdade nos olhos dele. Ele cruza os braços.

SPIKE
Não foi por roubar DVDs, isso eu garanto.

JAMES
(bufando)
Caralho, você nunca vai esquecer isso, vai?

SPIKE
Nunca!

(com orgulho cínico)
Você sabe, alguns furtos aqui e ali… tráfico, destruição de patrimônio público, roubo de carro…
Você sabe. Coisas normais para pessoas como nós.

James o encara, surpreso com a naturalidade. Mas sua resposta vem carregada de ironia.

JAMES
Uau. Você tem um currículo e tanto. Deve ter muito orgulho de si mesmo.

SPIKE
(deitando na cama, braços atrás da cabeça)
Eu faço o que posso.

JAMES
(arqueando a sobrancelha)
“Pessoas como nós”? Por favor, não me inclua nessa. Eu não tenho nada a ver com você.

SPIKE
Graças a Deus.

JAMES
Pelo menos eu não tenho um cadastro criminoso cheio de delitos, diferente de você, grande malandro.

Spike muda de posição na cama num piscar de olhos — agora sentado, curvado pra frente, encarando James com intensidade. James recua levemente, surpreso pela brusca mudança de energia, mas tenta manter a postura.

SPIKE
Por que você esconde seu rosto com essa franja ridícula? Sério, você é deformado ou coisa assim?

(mais curioso que provocador)
Agora é sério. Praticamente não dá pra ver seus olhos.
O que tem de tão errado neles que você precisa esconder com esse corte de cabelo tenebroso?

JAMES
(irritado)
Eu não escondo o rosto porque sou deformado ou qualquer outra coisa.
Apenas prefiro assim. É a minha escolha, e não é da sua conta.

SPIKE
(provocador)
Eu não acredito em você.
Tô começando a pensar que você tem um terceiro olho no meio da testa como um ciclope, e mantém escondido por trás dessa cabeleira toda.

JAMES
Eu não tenho nenhum terceiro olho, seu idiota!

SPIKE
Sou cético. Só acredito vendo.

JAMES
Porra, você é irritante pra caralho. Alguém já te disse isso antes?

SPIKE
Todos os dias desde que nasci.

JAMES
(bufando)
Se isso for fazer você calar a porra da boca de uma vez por todas… eu mostro.

Spike cobre a boca com as mãos como um pacto silencioso. James suspira e ergue a franja. Pela primeira vez, os olhos escarlates e brilhantes de James encaram diretamente os olhos incrivelmente negros de Spike — completamente pretos, sem íris nem esclera.

Por um momento… o tempo para.

Dois mundos estranhos se encontram. A luz rubi encontra o abismo. Silêncio absoluto. Uma conexão inesperada. O julgamento se dissolve. Tudo o que sobra é curiosidade.

SPIKE
(baixando a voz, genuíno)
Por que você os esconde?
Eles são lindos.

James fica visivelmente surpreso. Ninguém nunca dissera isso antes. A voz sai hesitante.

JAMES
Eu… eu escondo porque as pessoas tendem a me encarar como se eu fosse uma aberração.
Eles se sentem desconfortáveis.

SPIKE
(apontando para os próprios olhos)
Confie em mim, eu entendo completamente o que você quer dizer.

(mais sério)
Só acho que você tem que ligar o foda-se e não se importar com a opinião e julgamento das pessoas.
Acredite em mim… é libertador mandar todos à merda.
Não esconda o que te faz ser especial.

James hesita. Há uma quebra em sua armadura. Ele sente algo estranho — empatia. Com Spike. A última pessoa de quem esperaria.

JAMES
É fácil falar…
Mas não é fácil fazer quando você é ridicularizado pelas coisas que não tem controle.

SPIKE
Qual parte do “eu tenho os olhos mais fodidos do que os seus” você não entendeu, idiota?
Eu sei exatamente como você se sente.

James deixa escapar um sorrisinho involuntário. Pequeno. Quase imperceptível. Mas real.

JAMES
Ok. Talvez você tenha um ponto.
Ainda não consigo acreditar que estou de acordo com você.

(pausa)
Qual é o seu lance com tatuagens?

SPIKE
Você curtiu?

Spike levanta uma sobrancelha, se ergue em pé e puxa a camisa para cima, revelando ainda mais tatuagens pelo peito. James bufa, mas seus olhos analisam cada desenho com fascínio contido.

JAMES
Impressionante.
Isso dói muito?

SPIKE
No início, sim.
Já faz tanto tempo que nem lembro mais da dor.
Mas posso te dizer: vale a pena. Elas são muito úteis em batalha.

James franze o cenho.

JAMES
Úteis? Do que você está falando?
Como tatuagens seriam úteis em uma batalha?

SPIKE
Eu esqueço que você é novo por aqui… coitadinho, ainda tão ingênuo.

(ele se aproxima com cautela)
Está tudo bem. Não vou te fazer nada.

Spike estica o antebraço. Uma adaga tatuada está desenhada ali. Ele aproxima a mão, sem tocar a pele. A tinta negra se solta como fumaça viva, levita… e forma uma adaga de prata real, afiada e mortal, nas mãos de Spike.

James arregala os olhos. Atônito.

JAMES
(chocado)
Mas que porra foi essa?

A luz do pôr do sol já desapareceu. Agora o ambiente é iluminado apenas pela luz suave de uma luminária no canto do quarto, projetando sombras longas nas paredes. O ar está carregado de tensão curiosa. James encara Spike com os olhos arregalados.

JAMES
(surpreso, baixo)
Isso... isso é possível? Você controla uma tatuagem para se tornar uma arma real?

Ele fala quase em transe, os olhos ainda presos na adaga que há poucos segundos era apenas tinta na pele de Spike.

SPIKE
(sorriso torto, provocando)
Você é bem observador, não é?

Spike gira a adaga com elegância nos dedos, como se fosse uma extensão natural de seu corpo.

SPIKE
(com orgulho)
Quase isso. Na verdade, meu poder mutante me dá a habilidade de materializar tudo o que eu desenhar. Seja no papel ou, bom... no corpo.
Agora imagine a cena ridícula: eu no meio de uma luta, segurando a porra de um caderno, tentando desenhar uma arma antes de ser atacado.
Foi aí que eu decidi tatuar as armas em mim mesmo.
Muito mais prático. E muito mais estiloso.
Fala a verdade, eu sou um gênio ou não sou?

James bufa, cruzando os braços, mas não esconde o olhar fascinado.

JAMES
(contrariado, mas impressionado)
Eu relutantemente admito que é um método bastante prático.

Seu olhar se mantém na adaga por mais alguns segundos, depois volta para os olhos negros de Spike.

JAMES
(curioso)
Você tem todas as suas armas tatuadas?

SPIKE
Sim.
E não só armas. Coisas úteis pra mim também.

Spike puxa a regata para o lado, revelando um maço de cigarro tatuado abaixo do mamilo direito. Em seguida, levanta a perna para mostrar uma garrafa de uísque desenhada na panturrilha.

SPIKE
Agora... o meu trabalho mais impressionante. O orgulho da minha vida.
Minha tatuagem mais maneira de todas.

Spike se vira de costas. James prende a respiração.

Nas costas de Spike, duas asas negras enormes estão tatuadas com incrível precisão, cobrindo quase toda a pele. A arte é sombria, elegante, e estranhamente majestosa. James não consegue desviar os olhos.

JAMES
(balbuciando)
Isso é... impressionante.

Ele se aproxima involuntariamente, os olhos fixos nas asas.

JAMES
Você pode realmente... usar essas asas?

Spike se vira novamente, encarando James.

SPIKE
Você tá me perguntando se eu posso voar?
Bom… em teoria sim.
Ainda não testei. O mala do Scott diz que pode ser perigoso, que eu posso perder o controle no céu e desabar de lá de cima.
Mas acredite em mim… um dia desses eu vou testar essa teoria na prática.

James franze o cenho, apreensivo.

JAMES
Se você tentar... talvez seja uma boa ideia alguém te observar.
Só... só pra garantir que tudo corra bem.

Spike ergue uma sobrancelha, provocando.

SPIKE
Por acaso você está se voluntariando pra me ajudar?
Está preocupado comigo, novato?

James se retrai. As bochechas coram imediatamente. Ele vira o rosto, tentando esconder com a franja.

JAMES
Não seja idiota. Eu não ligo a mínima com o que acontece com você. Nisso eu não poderia me importar menos.

Spike nota a reação e se diverte. Ele se inclina, com um sorriso matreiro.

SPIKE
Você tá ficando vermelho, sabia?
Isso é fofo.

JAMES
(desviando o olhar)
Não seja estúpido. A luz daquela janela deve ter refletido nos meus olhos, tornando minha pele vermelha. Isso sempre acontece.

Spike ri, se apoiando na escrivaninha.

SPIKE
Isso é muito convincente.
Você realmente acredita nessa desculpa?

JAMES
Acredite no que quiser.

Spike dá de ombros e puxa uma cadeira. A gira ao contrário e senta com o encosto voltado pra frente, de forma desleixada, porém atenta.

SPIKE
Tudo bem, esquece isso.
Agora me fala mais sobre os seus poderes.

James enrijece. Ele revira os olhos.

JAMES
Não tenho nada pra falar.
Você já os viu em ação. Não tá afim de ver de novo, né?

SPIKE
Ah, qual é, corta essa.
Foi tão rápido que eu nem me lembro direito do que aconteceu.
É telecinesia?
A forma como você me moveu no ar com tanta facilidade indica que sim.

James suspira. Irritado. Mexe-se na cama, inquieto.

JAMES
Não. Não tem nada a ver com isso.

SPIKE
Espera… se não é isso, então é o quê? Aerocinese?
Estranho… não senti nenhuma corrente de ar.
Na verdade, nem a porra de uma brisa.
Já sei… magnetismo?
Não pode ser. Eu tava só de toalha naquela hora.
Não tinha nada de metal...
A não ser que… foi o meu piercing no mamilo?
Ou o piercing do meu...

JAMES
(interrompendo, revoltado)
Para, para!
Que porra você tá fazendo? Isso não é um jogo de adivinhação!

Spike ri alto, claramente se divertindo.

Ele se inclina mais para frente, o rosto mais próximo de James.

SPIKE
Você tá ficando envergonhado de novo.
Você realmente não quer que eu saiba qual é a sua verdadeira habilidade, né?

JAMES
Não é isso. É que, ao contrário de você, eu não tenho muito orgulho dos meus poderes.
Ou controle.

O tom muda. Spike percebe a seriedade. O sorriso some.

SPIKE
Poderes são poderes.
Não importa quão bons ou ruins sejam.
Ainda é parte de quem você é.
E você não precisa ter vergonha disso.
Mesmo sem controle… ainda há potencial ali.

James o encara. Por um momento, Spike não é só um babaca arrogante. Há compreensão ali.

James estica a mão.

JAMES
Tudo bem.
Mas vou precisar da sua adaga emprestada, se não se importar.

Spike arqueia uma sobrancelha, desconfiado.

SPIKE
Você não vai me matar, vai?

JAMES
Cala a boca.
Se eu quisesse te matar, não ia precisar de armas pra isso.

Spike gargalha e entrega a adaga. James segura a haste dourada. Seus olhos brilham com uma intensidade nova. Ele se prepara.

Silêncio. A respiração de James se torna mais pesada. Ele arrasta a lâmina pela pele do pulso. Um corte se forma, mas... o sangue não escorre. Ele flutua. Vibra. Fica suspenso no ar como uma marionete presa por fios invisíveis.

Linhas vermelhas se formam no ar. Como uma dança. Um ritual de sangue sob controle absoluto.

Spike não consegue falar. Apenas observa, boquiaberto.

O sangue retorna. A ferida desaparece. A pele está intacta.

SPIKE
(quase sussurrando)
Puta merd... isso foi... incrível!
Eu nunca vi nada assim na vida!

James parece em transe. Observa o próprio pulso. Um sorrisinho surge em seus lábios.

JAMES
É a primeira vez que eu tento algo assim.
Não acredito que consegui controlar.
Porra, eu realmente consegui.

Seus olhos escarlates brilham com intensidade. Spike sorri com admiração disfarçada.

SPIKE
Eu nunca pensei que alguém poderia literalmente mexer nas próprias veias desse jeito.
É sinistro... mas, eu confesso, é impressionante.

JAMES
Foi assim que eu te movi pelo ar mais cedo.
Eu não tava movendo o seu corpo.
Tava movendo o seu sangue.
Não era telecinesia.
Era manipulação sanguínea.

Spike tenta processar. O rosto agora está sério, mas os olhos ardem com curiosidade.

SPIKE
Então você basicamente tava mexendo com a minha pressão sanguínea e, consequentemente, me movendo pelo ar?
Isso é... deveras perturbador, devo admitir.

James abaixa os olhos. A expressão se fecha.

JAMES
É, eu sei.
Meu poder, além de perturbador, é muito perigoso.
Eu não deveria ter usado em você.
Eu podia ter te matado.
Eu sinto muito.

Ele fala baixo. Esconde-se atrás da franja novamente.

Spike o observa. Pela primeira vez, sem sarcasmo. Só compreensão.

SPIKE
Ei… calma aí, cowboy.
Você não me machucou.
Tô aqui, inteiro, certo? Sem dano algum.

Ele arrasta a cadeira até ficar ao lado de James. James sorri, tímido. Devolve a adaga. Spike observa: está limpa. Ele a materializa de volta à tatuagem no pulso.

JAMES
Cara… isso deve ter sido a coisa mais impressionante que eu já vi na vida.
E fica ainda mais legal visto pela segunda vez.

Spike ri, relaxando.

SPIKE
Você não viu nada ainda, meu caro.

Ele se recosta, braços cruzados. O olhar fixo em James, com aquele brilho malandro.

SPIKE
Eu posso fazer coisas que você não é capaz de imaginar.
Coisas que vão quebrar toda a tua ideia de realidade.

James observa Spike por alguns segundos. O corpo tatuado. O olhar provocador. O jeito largado, confiante. Por uma fração de segundo… ele sente algo que não esperava sentir.

Um calor no rosto. As bochechas coram de novo. Ele desvia o olhar desesperadamente, fingindo nada.

Mas Spike já percebeu.

A luz morna do abajur ainda ilumina o quarto com suavidade. As sombras dançam levemente pelas paredes, criando um clima íntimo. James está terminando de guardar suas roupas, ainda um pouco corado depois do último comentário de Spike.

Spike observa de relance. Vê o leve rubor voltar às bochechas de James e o brilho incômodo em seu olhar. O canto da boca de Spike se curva em um sorriso malicioso e divertido. Ele já entendeu o que está acontecendo — e vai usar isso.

SPIKE
(sarcástico, provocativo)
Opa, o que foi isso ?
Alguém parece um pouco nervoso.

James gira o corpo abruptamente para encará-lo, mas evita contato visual direto. Levanta-se da cama com um salto, como se estivesse fugindo da situação. Caminha rapidamente até a mala sobre a cama e começa a remexer as roupas ali, fingindo estar ocupado.

JAMES
(disfarçando)
O quê? Nervoso? Eu? Não viaja, por que eu estaria nervoso?

Spike ri baixo, se divertindo claramente com a reação teatral de James. Seus olhos escuros seguem cada movimento dele com interesse silencioso.

SPIKE
(irônico)
Ah, claro, claro...

Ele se levanta da cadeira, andando devagar, preguiçoso, como um predador observando sua presa com calma. Vai se aproximando de James lentamente.

James sente a aproximação, mas continua concentrado nas roupas. Finge não perceber.

JAMES
(tentando mudar de assunto)
Cara, onde eu posso guardar minhas coisas?
Aquele armário está desocupado?

Ele aponta para o armário do lado da cama de Spike. Sua voz vacila por um breve segundo. Spike percebe e seu sorriso se amplia.

SPIKE
(sem tirar os olhos dele)
Ah, o armário tá livre sim.
Sinta-se à vontade.

James junta um punhado de roupas e vai até o armário com pressa, mantendo o rosto virado para longe de Spike.

JAMES
Hum. Certo. Obrigado.

Ele começa a guardar suas roupas, os movimentos um pouco tensos. Depois de alguns segundos, sua voz surge de novo — como um apelo disfarçado de reclamação.

JAMES
Cara, você pode ir fazer suas coisas.
Não precisa ficar me fiscalizando, eu dou conta disso sozinho.

Spike permanece onde está, encostado casualmente na parede, braços cruzados. Não parece nem um pouco interessado em se afastar.

SPIKE
(com charme perigoso)
Ah, desculpa se pareceu que eu estava te fiscalizando.
Só estava admirando a vista, sabe?

James congela por um segundo. Sua espinha arrepia. Ele tenta ignorar, achando que talvez tenha entendido errado.

Spike percebe perfeitamente. Um brilho perverso nos olhos. Ele dá alguns passos para perto, parando bem atrás de James. Está tão próximo que sua respiração quente alcança o pescoço do garoto.

SPIKE
(sussurrando, provocante)
Algo errado novato ?
Parece que você está com dificuldades pra digerir minhas palavras...

James estremece visivelmente. Sua voz sai firme, mas o tom é mais de aviso do que de ameaça real.

JAMES
Se eu fosse você, Spike, eu não arriscaria ficar tão próximo de mim.
Ainda mais agora que sabe como meu poder funciona.
Você sabe o que aconteceu da última vez que esteve tão perto assim.

Spike ri baixo, rouco, sensual. A voz dele sussurra direto ao ouvido de James, o corpo quase colado ao dele.

SPIKE
Ah, mas é justamente por saber o que seu poder pode fazer que estou aqui.

James cerra os olhos, mas o tom não é de raiva. É tensão pura, luta interna. A voz trêmula — ele não sabe se quer afastar Spike... ou puxá-lo ainda mais para perto.

JAMES
Você é maluco?
Você deveria temer os meus poderes e não provocá-los.
Você sabe que eu posso explodir a sua cabeça de dentro pra fora sem mover um músculo sequer, não sabe?

Spike não se move. Ao contrário: ele encosta ainda mais. A respiração quente no ouvido de James, a tensão sexual no ar como eletricidade.

SPIKE
Você pode tentar novato.
Mas é um risco que eu estou mais que disposto a correr.

James está em um redemoinho emocional. Ele respira fundo, tenta recuperar o controle. Mas então… se vira de uma vez.

Agora estão frente a frente. James encara Spike com olhos escarlates em brasa, quase ofuscantes. Os olhos negros de Spike são como um abismo escuro e brilhante. A respiração dos dois se mistura. Os lábios estão a centímetros.

JAMES
(baixo, vulnerável)
Por quê?
Por que correr esse risco?
A gente acabou de se conhecer.

Spike mantém o olhar firme. Séria provocação. Um traço de surpresa no olhar — mas que logo se transforma em desafio ardente. A voz vem como um sussurro hipnotizante.

SPIKE
É justamente por ter acabado de te conhecer que eu estou correndo esse risco.

James engole em seco. O olhar cai para os lábios de Spike. Passa a língua discretamente pelos seus próprios lábios. Pequenas gotas de saliva brilham à luz fraca do quarto.

Spike observa o gesto como um lobo faminto. Ele se move mais um pouco. Uma das mãos desliza até a cintura de James. Ele o puxa bruscamente para mais perto.

Agora os corpos estão colados. Não há mais espaço entre eles. James se perde. O toque é quente. Dominante. Quase instintivo.

JAMES
I-isso não está certo...
É uma loucura.

A voz é rouca, hesitante. Um sussurro que mal atravessa o ar.

Spike sorri com malícia, claramente mais divertido e mais atraído. Seus dedos apertam levemente a cintura de James, mantendo-o ali, preso no momento.

SPIKE
(baixo, provocador)
É Ainda mais gostoso por ser uma loucura.

Spike sorriu maliciosamente, ainda mais divertido com a reação de James. Os dedos dele se apertaram levemente na cintura de James, não o soltando por nada nesse mundo.

Ele manteve o olhar fixo nos olhos vermelhos de James, observando a luta interna que acontecia entre o desejo e a razão.

Spike: "E desde quando eu jogo pelas regras?"

James: Foda-se as regras.

Disse enquanto se entregava a Spike completamente, encostando seus lábios nós dele finalmente. 

Spike riu baixo de satisfação quando James finalmente se jogou nele. Ele correspondeu ao beijo rapidamente, sua mão forte segurando a cintura de James enquanto puxava o corpo dele ainda mais para perto. A outra mão deslizou para a bunda dele,  apertando com firmeza.

Ele aprofundou o beijo, sua língua invadindo a boca de James com avidez. Os dedos da mão que estavam na cintura se moveram para a parte de trás de seu pescoço, segurando-o com força enquanto continuavam a se beijar.

James não conseguia pensar em mais nada, só no quanto ele queria aquilo, estava completamente entregue aquele momento, era a primeira vez que se sentia tão bem em toda a sua vida, e faria de tudo pra fazer com que aquele momento durasse por mais tempo.

Ele agarrou o rosto de Spike com vontade, pressionando ainda mais seus lábios contra os dele.

Spike correspondeu o beijo com a mesma vontade, a mão que estava na bunda de James subindo ainda mais parando entre as pernas dele. Seus dedos apertaram o tecido das calças de James enquanto ele o puxava com força para si mesmo. O corpo de James estava completamente colado contra o seu agora, enquanto a língua de Spike explorava a boca dele sem nenhum tipo de moderação.

James sentiu seu membro crescer dentro das próprias calças na medida em que Spike o tocava entre as suas pernas, estava tão excitado no momento que não estava preocupado com o que Spike poderia pensar, a verdade era que ele queria que Spike sentisse o quanto ele o desejava.

Spike podia sentir a dureza de James pressionada contra sua coxa, e essa informação o deixou ainda mais excitado do que ele já estava. Sua mão continuou a apertar a carne entre as pernas dele, enquanto ele aprofundava ainda mais o beijo que estavam compartilhando.

Ele deslizou a outra mão por baixo da camiseta de James, sentindo a pele quente enquanto os dedos passeavam por seu corpo.

James já estava ficando sem ar, o beijo já durava muito tempo, sentia que poderia se afogar na boca de Spike a qualquer momento. Ele interrompeu o beijo por um momento, sem desviar os olhos dele nem por um estante.

James: S-Spike...

Disse com a voz fraca,era quase um murmúrio uma súplica. 

Spike soltou um suspiro rouco ao ouvir o tom fraco da voz de James. Os olhos dele se voltaram para a sua frente, a imagem de James ofegante, com os olhos escarlate brilhando de desejo foi quase o suficiente para fazer ele perder a razão por completo.

Ele se apoiou contra o ombro de James, seus lábios encontrando a pele quente de seu pescoço.

Spike: "Sim, Novato?" Ele sussurrou, a voz rouca e carregada de desejo.

James: Acho que devemos... parar por aqui... 

Fazia um esforço descomunal para continuar falando.

James: ... ou vamos... acabar passando dos limites. 

Disse deixando escapar um gemido fino enquanto revirava os olhos de Desejo.

Spike soltou um suspiro rouco ao ouvir o gemido de James, ele sentiu seu corpo todo se estremecer de desejo.

Spike riu baixo contra a pele do pescoço de James, sua mão continuando a apertar suavemente seu membro por cima das calças. Ele podia sentir como o garoto tremia de excitação contra seu toque, podia ouvir os pequenos gemidos que ele tentava desesperadamente esconder com o pouco de controle que ainda possuia. Isso só fazia o desejo dentro dele aumentar, enquanto ele sussurrava ao ouvido de James:

Spike: "Oh, não se preocupe com isso, querido. Eu posso garantir que vou te fazer passar de todos os limites."

James: Você é um cara mal, eu gosto de caras maus.

Disse retomando o beijo de onde tinham parado, foi a vez de James sentir a dureza de Spike quando começou o apalpar por entre as pernas.

Spike soltou um gemido baixinho, enquanto James o tocava, seus olhos fecharam brevemente pelo prazer da sensação. A mão que estava em seu membro continuou a apertar e acariciar, enquanto a outra estava em sua cintura, com os dedos enterrados na pele debaixo da camiseta de James.

Ele aprofunda o beijo, a língua explorando a boca de James com vontade, enquanto se pressionava contra ele com ainda mais força. Era como se estivessem entregues a uma necessidade animal, ambos perdidos no prazer daquele momento.

James: Spike, se você continuar mexendo no meu pau do jeito que está fazendo, eu não acho que eu possa aguentar por muito mais tempo.

Disse susurrando baixinho em seu ouvido com a voz rouca.

Spike soltou um gemido rouco ao ouvir as palavras de James, a imagem mental dele gemendo e se estremecendo só fazia com o desejo em seu corpo aumentasse.

Spike: "Ah, garoto, você já não está aguentando há um tempo." Ele sussurrou, com uma risada baixa. "Não é uma questão de se, mas de quando."

James cedeu aos seus próprios desejos, sem se importar com as consequências, ele enfiou sua mão direita dentro das calças de Spike , sentindo pela primera vez a pele quente de seu pau extremamente duro pulsando em suas mão. 

James: Ual, isso é grande.

Disse em tom de surpresa acompanhada de uma risada safada. 

Spike soltou outro gemido baixo no momento que sentiu a mão de James sobre seu membro, ele fechou os olhos por um instante e jogou a cabeça para trás, uma expressão de prazer passando por seu rosto. Ele rapidamente se recuperou e riu baixo, abrindo os olhos novamente e olhando para James com um olhar malicioso.

Spike: "Ah ,Novato, você ainda nem viu nada."

Spike foi na onda de James, segurando o pênis dele por dentro da calça, intensificando os movimentos, James se retorceu de prazer em seus braços. 
Enquanto passava a língua por cima da tatuagem de navalha que Spike tinha em seu pescoço. Se aquela tatuagem criasse vida naquele instante,James iria ganhar uma bifurcação gratis em sua língua. 

A intensa sensação do gesto de língua de James só fazia com que o toque de Spike em seu pênis ficasse ainda mais frenético. James aproveitou a deixa aumentando ainda mais a intensidade de suas carícias, masturbando Spike com ainda mais força. 

 Spike fechou os olhos novamente e apoiou a cabeça contra o ombro de James, enquanto tentava manter o controle da situação.

Spike : V-você realmente não sabe como ser delicado, sabe?" Disse com a voz trêmula pela intensidade do momento.

James: Você quer que eu pare?
Disse provocativo.

Spike abriu os olhos e olhou para James, a expressão em seu rosto era uma mistura de necessidade e frustração. Ele podia sentir a tensão em seu corpo aumentar enquanto James continuava com a provocação.

Spike: "Não... não pare..." Ele respondeu, a voz rouca e entregue pelo desejo. "Não pare, caralho."

James: Porra, Spike, eu estou quase, quase lá, Caralho, que gostoso.

Disse tremendo de prazer enquanto masturbava Spike com ainda mais vontade.

A intensidade do gesto de James e as palavras de seu gemido eram quase para Spike mais do que ele podia aguentar. Era como se todo o seu corpo estivesse em chamas, cada movimento de James apenas atiçava o fogo dentro dele ainda mais.

Spike: "E-e-estou perto t-também, querido. Eu não vou aguentar por muito mais tempo, caralho..." Ele respondeu com a voz trêmula, sua respiração ficando ainda mais rápida e ofegante.

James e Spike se agitaram ainda mais, seus corpos dando sinais claros de que explodiriam de prazer a qualquer momento,e  James ansiava por isso mais do que qualquer coisa, os olhos vermelhos de James agora cobertos de pura luxúria encontravam com os de Spike que traziam nele uma escuridão tentadora. Eles se encaravam com a testa colada uma na outra, enquanto seus braços trabalhavam duro, afim  chegar ao ápice do prazer.

Spike podia sentir que a cada segundo que se passava, ele se perdia mais e mais naquele momento, na sensação do corpo de James contra o dele, na forma como ele se movia com uma intensidade e uma necessidade quase desesperada. Os olhos vermelhos de James eram como um ímã que o atraia cada vez mais perto.

Seus corpos continuam se movendo juntos em uma busca frenética pelo prazer, enquanto o resto do mundo parece ter sido esquecido por completo. Era só eles dois, perdidos em um ciclo de desejo e necessidade que parecia não ter fim.

James: S-spike, Cara.. caralho...Eu, to quase, eu, Caralho eu vou goz....

Disse com a voz rouca,as palavras se desfazendo em sua boca na medida que as sensações em seu corpo se intensificava, Seguido de um gemido quase libertador.

Quando ouviu o gemido de James, Spike sentiu seu próprio corpo estremecer em antecipação, o som ecoando pelos ouvidos dele como uma música quase hipnotizante.
Ele podia sentir seu próprio orgasmo se aproximando, o prazer se construindo dentro dele em uma pressão quase insuportável.

James gemeu alto, um misto de fúria e prazer, enquanto Spike sentia todo o desejo e prazer de James literalmente escorrer entre os seus dedos, era quente e pegajoso. Não demorou muito até James ter a mesma sensação em sua pele, quando Spike finalmente chegava ao ápice de eu prazer.

Spike soltou um gemido alto e trêmulo

sentiu seu corpo estremecer enquanto ele se entregava totalmente ao prazer de seu orgasmo.

Ele pressionou a testa contra a de James, tentando recuperar a respiração enquanto sentia o corpo de James estremecê-lo contra o seu. Os olhos internos, a respiração ofegante, toda a tensão acumulada pareciam ter sido libertadas em um momento de puro êxtase.

Tudo o que ele podia sentir era o peso do corpo de James contra o seu, o cheiro do seu suor e aquela sensação quente e pegajosa em suas mãos. 

A luz fraca da luminária do canto mal conseguia afastar a penumbra. O som da respiração ofegante e dos lençóis bagunçados era a única coisa que preenchia o silêncio do quarto.

James deu um último beijo em Spike antes de seu corpo se afastar, os lábios se soltando com um atraso melancólico. Soou quase como uma despedida forçada.

Ele desabou sobre o colchão de sua própria cama, de costas, os braços abertos como se estivesse prestes a ser crucificado. Suas pernas estavam bambas. Encarava o teto como se não houvesse mais nada no mundo, a visão turva tentando se reorganizar enquanto os pulmões lutavam por estabilidade.

Do outro lado do quarto, Spike parecia igualmente rendido, estirado na própria cama, o peito subindo e descendo com dificuldade.

Os dois estavam em silêncio. Um silêncio preenchido por algo entre o exausto e o sagrado.

SPIKE
(voz rouca)
Caralho... caralho...
(pausa, recuperando o fôlego)
Eu não... eu não esperava que isso fosse ser tão bom...

JAMES
(rindo entre as respirações)
Sim, cara... eu... eu entendo como se sente.
(pausa)
Isso foi... incrível.

Spike soltou uma risada baixa, olhos ainda fechados, o corpo vibrando com resquícios das sensações.

SPIKE
Isso não chega nem perto de descrever o que foi, querido. Isso foi absolutamente fenomenal.

James virou de lado, ainda deitado, encarando Spike no outro canto do quarto.

JAMES
Que porra acabou de acontecer aqui?

(incrédulo, como se a ficha estivesse caindo lentamente)
Como você denominaria o que acabou de rolar aqui? Batismo de fogo? Brotheragem? Ou só uma punheta entre amigos?

(ele ri das próprias palavras)

Spike abriu os olhos e virou a cabeça em sua direção, com um sorrisinho divertido no rosto.

SPIKE
Hm, não sei se há um termo exato pra isso. Talvez você tenha razão,novato. Batismo de fogo... ou brotheragem.

(suspira, encara o teto)

Mas independentemente do nome... não foi exatamente algo terrível, não é mesmo?

JAMES
Não mesmo. Eu até poderia me acostumar com isso.

(pausa; percebe o que disse)

Mas isso não pode acontecer de novo. Digo... nós somos colegas de quarto. Vamos passar muito tempo juntos, querendo ou não. Eu não quero que as coisas fiquem mais estranhas do que já são.

Spike suspira, os olhos se fechando de novo. Ele entende. Mas não pode negar o leve desapontamento.

SPIKE
Sim... você tem razão.
Somos colegas de quarto, e não seria legal se as coisas ficassem ainda mais estranhas entre nós.

(pausa)

Apenas... foi bom enquanto durou, não é mesmo?

JAMES
Cara, é a porra do meu primeiro dia aqui. Já briguei, tentei fugir e peguei no pau do meu colega de quarto. E olha que ainda nem se passou um dia inteiro.

(ele cobre o rosto com as mãos, rindo de si mesmo)

Merda, o que será que me espera pelo resto do ano?

Spike ri junto, sincero.

SPIKE
Pelo menos você tá tendo uma experiência memorável, não é mesmo? Não vai ser um ano entediante, com certeza.

(ele se apoia nos cotovelos, encara James com um olhar malicioso)

Mas quem sabe... agora que você teve seu batismo de fogo, talvez as coisas fiquem ainda mais divertidas.

James arqueia a sobrancelha, prestes a responder — quando uma batida insistente na porta interrompe tudo.

SCOTT (OFF)
Rapazes, aqui é Scott Summers. Posso entrar?

Spike se sobressalta. James se senta rápido na cama, passando as mãos pelo cabelo numa tentativa de parecer apresentável.

SPIKE
Uh... sim, claro! Só um momento!

Spike caminha até a porta e a abre. Do outro lado, Scott Summers — de pé, postura reta, expressão séria, os inseparáveis óculos escuros refletindo a pouca luz do quarto.

SCOTT
Olá, rapazes. Espero que não esteja interrompendo nada importante.

JAMES
Não está. Até porque não tem nada pra interromper. Eu só estava me acomodando... arrumando minhas coisas... você sabe, coisas de novato.

(tenta sorrir, desconcertado)

Scott observa brevemente o ambiente e os dois rapazes, antes de se voltar para Spike.

SCOTT
Então, Spike. Tem um minuto pra conversar?

SPIKE
Claro, Scott. O que deseja discutir?

Scott faz um gesto com a cabeça. Spike o acompanha para o corredor.

CORREDOR DO DORMITÓRIO –

SCOTT
O assunto é sobre o... desentendimento entre você e James mais cedo. Queria saber como estão as coisas entre vocês.

Spike se encosta na parede, braços cruzados.

SPIKE
Ah, sim, aquela coisa...
(suspiro)
Podemos dizer que acabamos de resolver. Tínhamos algumas frustrações e tensões acumuladas, mas conversamos e... chegamos a um acordo, digamos assim.

Scott parece dividir-se entre surpresa, alívio e uma suspeita incômoda.

SCOTT
Mesmo? Ora, que bom. Só estou surpreso que tenham resolvido as coisas tão rápido. Nós dois sabemos como você pode ser teimoso, Spike.

SPIKE
(rindo, sem se ofender)
Sim, eu sei do meu temperamento difícil. Mas James também não é um santo, sabe?

SCOTT
Não estou dizendo que é. James passou por muita coisa ultimamente. Ele precisa de apoio, de alguém que o ajude a se adaptar.

(pausa, sério)

Por um momento, considerei mudar ele de quarto, colocá-lo com alguém mais... sociável. Mas se você me diz que está tudo resolvido, deixo como está.

(entonação gentil)

Não estou pedindo pra você ser o melhor amigo dele, nem mudar quem é. Só... seja gentil. E maneire nas piadas e sarcasmos, ok? Sei que vai ser um desafio. Mas acredito no seu potencial.

Spike assente lentamente, absorvendo o que ouve.

SPIKE
Eu entendo. E você tem razão. Eu não sou exatamente um exemplo de simpatia.

(ele esfrega a nuca, desconfortável)

SCOTT
Mas eu tenho fé. Acredito que você tem a capacidade de ser surpreendentemente gentil... quando quer. E acredite, James precisa disso. E por mais incrível que pareça — mesmo com o atrito entre vocês — eu acho que você pode ser esse amigo.

(tapa no ombro de Spike, sorriso contido)

SCOTT
James, me procure se precisar de qualquer coisa. Estou sempre à disposição.

JAMES (OFF)
Hum, está bem. Obrigado, senhor Summers.

Scott se afasta pelo corredor. Spike permanece parado por um momento, pensativo, antes de voltar para o quarto.

QUARTO 

James continua sentado na beirada da cama, do mesmo jeito. Quando vê Spike entrar, lança uma provocação.

JAMES
Você tá com cara de quem levou uma bronca daquelas.

SPIKE
(pendurado na porta)
Pode se dizer que sim. Scott me disse... algumas coisas.

(ele entra, olhando em volta pensativo)

JAMES
Eu ouvi. Não tudo, mas o suficiente.

(pausa)

Eu entendo a preocupação de Scott, mas... eu não sou feito de vidro. Ele não precisa tratar como se eu fosse quebrar a qualquer momento. E nem pedir pra você pisar em ovos comigo.

(relaxado)

Relaxa, Spike. Eu não preciso de babá. Nem de um amigo forçado por alguém.

Spike analisa o rosto de James, depois suspira, caminhando até sua cama.

SPIKE
Eu sei. Não se preocupe. Eu não vou ser sua babá — até porque não levo o menor jeito pra isso.

(senta, encara James)

E Scott... ele só tá preocupado contigo. Só isso.

JAMES
(imitando Spike com ironia)
“Tínhamos algumas frustrações e tensões acumuladas, mas conversamos e chegamos a um acordo.”

(pausa; tom atrevido)

Você só escondeu o fato de que nossas frustrações e tensões acumuladas... deixaram nossos corpos pelo pau.

Spike gargalha, sem conseguir segurar.

SPIKE
Bom... ele não precisa saber de tudo.

James sorri com a sinceridade da risada de Spike. Os dois se encaram por um momento.

JAMES
Então... você gosta de manter segredos, hem?

(pausa; olhar malicioso)

Eu gosto disso em você.

Spike é pego de surpresa. A risada morre nos lábios, dando lugar a um certo calor no peito.

SPIKE
Você gosta mesmo?

JAMES
Bom... digamos que você não é tão insuportável quanto eu pensei que fosse.
Acho que dividir o quarto com você... não vai ser uma tortura, afinal.